Por que a BitMine está comprando tanto Ethereum que a própria rede mal consegue acompanhar

Por que a BitMine está comprando tanto Ethereum que a própria rede mal consegue acompanhar

A BitMine Immersion Technologies possui atualmente 5.847.611 tokens de Ethereum em seu tesouro corporativo. Esse volume representa 4,79% de todo o suprimento existente da criptomoeda, garantindo à empresa um domínio maior sobre o ativo do que Michael Saylor já teve sobre o Bitcoin.

O presidente da companhia, Tom Lee, afirmou ao podcast Bankless que a meta é atingir a marca de 5% de participação antes do final de 2026. No entanto, a matemática por trás desse objetivo exige aportes contínuos.

A construção dessa grande reserva de Ethereum ocorreu de forma acelerada, em apenas 14 meses. Para efeito de comparação, a MicroStrategy levou seis anos para acumular 840.447 unidades de Bitcoin, o equivalente a 4,19% das moedas em circulação.

A BitMine fez sua primeira compra em 30 de junho de 2025 e continuou adquirindo o ativo semanalmente desde então, totalizando 60 semanas sem interrupções. O financiamento foi feito com ações ordinárias, evitando empréstimos que prejudicaram tesourarias rivais no passado.

Com o Ethereum sendo negociado perto de US$ 2.480, a criptomoeda acumulou uma alta de cerca de 30% na última semana. Aproveitando o movimento, a BitMine realizou sua maior aquisição semanal desde o início de julho.

“São cerca de US$ 350 milhões em ETH que precisamos adquirir para chegar a 5%… poderíamos alcançar isso até o final do ano”, explicou Tom Lee durante a sua participação no podcast Bankless.

O desafio da BitMine no Ethereum com a expansão da rede

O principal obstáculo para alcançar os 5% é que o suprimento de Ethereum não é fixo e está em crescimento. A rede adicionou 85.893 novos tokens nos últimos 30 dias, elevando o suprimento total para 121,98 milhões de unidades.

Essa diferença significa que, para atingir exatos 5%, a BitMine precisa de 6,1 milhões de tokens. A empresa ainda está distante dessa marca em cerca de 251.000 tokens, o que equivale a aproximadamente US$ 620 milhões nos preços recentes.

Apesar dos custos, Tom Lee descarta qualquer possibilidade de venda. A maior parte dessa reserva de Ethereum está em staking, com 5,07 milhões de tokens gerando cerca de US$ 330 milhões por ano, o que já representa 12% de todo o volume bloqueado na rede.

Esse rendimento é utilizado para cobrir os dividendos das ações preferenciais BMNP, vendidas em junho. Além de investidora, a BitMine também está se tornando uma operadora de infraestrutura, tendo lançado sua divisão de validadores MAVAN em março.

A visão de longo prazo da empresa está atrelada à tokenização e à inteligência artificial. Refletindo sobre a adoção da tecnologia por Wall Street, Lee projetou uma meta de preço otimista: “Acho que o Ethereum pode facilmente ultrapassar 10.000 nesse período”.

No mercado corporativo, nenhum concorrente de capital aberto está próximo desse volume. A SharpLink, segunda maior detentora da criptomoeda, possui 888.938 tokens, cerca de um sétimo da reserva da BitMine.