Gigantes institucionais voltaram ao mercado cripto com força. Apenas na última semana, três grandes companhias públicas desembolsaram mais de US$ 500 milhões em criptomoedas. Esse movimento mostra que Wall Street compra Bitcoin e Ethereum seguindo uma estratégia financeira clara de longo prazo.
O modelo de negócios dessas empresas envolve a emissão de novas ações para financiar a aquisição de ativos digitais. Elas aproveitam os momentos de alta das moedas, cenário em que a demanda por suas próprias ações no mercado de capitais também cresce.
A Strive, liderada por Matt Cole, adquiriu 1.800 unidades de Bitcoin a um preço médio de US$ 79.431. Com isso, a empresa alcançou um total de 23.156 moedas em caixa, o equivalente a cerca de US$ 1,83 bilhão em valor de mercado.
Para financiar esse aporte, a Strive emitiu mais de 3,5 milhões de novas ações classe A. Mesmo após a compra massiva, o caixa em dinheiro da companhia ainda registrou um aumento de US$ 11,6 milhões, chegando ao total de US$ 183,5 milhões.
A Strategy encerrou uma pausa de dez semanas e também retomou as aquisições. A empresa adicionou 4.603 moedas ao seu balanço institucional, relatando um custo médio de US$ 75.412 por unidade de Bitcoin.
A BitMine, por outro lado, segue uma tese diferente focada na geração de rendimento. A companhia registrou sua 65ª semana consecutiva de aquisições de ether (ETH), uma sequência constante iniciada em junho de 2025.
A estratégia da BitMine baseia-se no staking. A empresa já bloqueou cerca de 86% do seu patrimônio (mais de 5 milhões de tokens ETH) na rede MAVAN. Segundo o presidente Tom Lee, a projeção é gerar um retorno anual entre US$ 335 milhões e US$ 390 milhões. A empresa detém hoje 4,9% do suprimento global de ether.
Por que Wall Street está comprando Bitcoin e Ethereum neste momento?
A explicação para essa nova onda de aportes institucionais começa nos fundos negociados em bolsa (ETFs). Após meses de saídas de capital em junho, os fundos spot de Bitcoin nos Estados Unidos atraíram mais de US$ 3,3 bilhões em agosto, de acordo com dados da SoSoValue.
Os fundos de Ethereum seguiram a mesma tendência positiva, captando aproximadamente US$ 1,75 bilhão. Esse fluxo financeiro impulsiona os preços globais. Durante o mês de agosto, o Bitcoin valorizou 25,7%, enquanto o Ethereum registrou alta de 33,3%.
Esse cenário cria o motor do mercado: os fundos impulsionam as moedas, as moedas valorizam as ações das empresas públicas, e a venda dessas ações financia novas compras. Enquanto isso, o Bank of America relatou que os fundos cripto em geral registraram US$ 3,2 bilhões em entradas na última semana, o maior volume desde outubro de 2025.
O ambiente macroeconômico e político americano também influencia o momento em que Wall Street compra Bitcoin e Ethereum. O presidente Donald Trump pressionou o Congresso em 19 de agosto para a aprovação do CLARITY Act, com uma votação no Senado prevista para 15 de setembro.
O que realmente dita o ritmo dessas aquisições corporativas não é uma eventual queda no preço do ativo. Enquanto a janela de financiamento de crédito e emissão de ações estiver aberta, essas empresas continuarão acumulando reservas.


