Ninguém quer vender e a volatilidade do Bitcoin atinge menor nível histórico

Ninguém quer vender e a volatilidade do Bitcoin atinge menor nível histórico

A volatilidade do Bitcoin registrou uma compressão drástica no início de setembro de 2026, caindo para o percentil de 1,5. Na prática, a criptomoeda esteve tão estável quanto agora em apenas 1,5% de toda a sua história no mercado.

A causa dessa calmaria não envolve fatores macroeconômicos externos ou novas regulamentações. O cenário atual reflete o comportamento direto dos investidores de longo prazo, que decidiram reter seus ativos e não vender.

Esses detentores, que mantêm suas moedas intocadas por pelo menos 155 dias, estão absorvendo a oferta disponível rapidamente. Um relatório da VanEck divulgado em meados de agosto apontou que a volatilidade do Bitcoin anualizada recuou para 27,2%, valor consideravelmente inferior à média histórica de 80%.

Durante o período de estabilidade em agosto, o ativo foi negociado na faixa de US$ 63.500 a US$ 65.000. Já no início de setembro, impulsionado pela escassez de oferta disponível, o preço rapidamente saltou para o patamar de US$ 78.000 a US$ 80.000.

O pico desse acúmulo ocorreu no primeiro semestre de 2026, quando os investidores de longo prazo chegaram a reter 83% de todo o suprimento circulante, somando mais de 16,3 milhões de moedas travadas em suas carteiras.

O efeito mola e o futuro da volatilidade do Bitcoin

Até o dia 11 de agosto, o volume retido recuou para 59,1% da oferta, cerca de 11,84 milhões de unidades. A forma como essas moedas foram distribuídas revela detalhes importantes: investidores com ativos guardados entre um e dois anos reduziram suas posições em 6,2%, enquanto aqueles com moedas paradas há mais de uma década movimentaram apenas 0,1%.

Estudos da Fidelity Digital Assets indicam que o aumento da oferta nas mãos de detentores de longo prazo reduz significativamente a liquidez do mercado. Consequentemente, isso força uma queda na oscilação imediata dos preços.

Analistas classificam essa dinâmica de mercado como o “efeito mola”. A redução da pressão de venda cria um ambiente de oferta restrita. Assim, quando a demanda compradora aumenta, o preço sobe de forma acelerada devido à falta de vendedores dispostos a negociar nos níveis anteriores.

A recente alta para a casa dos US$ 80.000 no início de setembro sinaliza que a tensão dessa mola já começou a ser liberada. Agora, o indicador crucial para monitoramento não é apenas o preço, mas o ritmo em que a oferta dos investidores de longo prazo diminui.