A inteligência artificial está colocando ferramentas avançadas de invasão nas mãos de pessoas com pouca experiência técnica. Esse cenário força os desenvolvedores a correr contra o relógio para garantir a segurança do Bitcoin antes que cibercriminosos explorem eventuais falhas.
Para enfrentar esse desafio, surgiu o Bitcoin Red Team. O grupo atua como uma força de resposta rápida, composta por cerca de 20 a 25 voluntários focados em identificar ameaças geradas por IA em todo o ecossistema da criptomoeda.
“Neste ponto, é uma questão de tempo”, afirmou Calle, membro pseudônimo do grupo e desenvolvedor do protocolo Cashu, ao Decrypt. “A razão pela qual o Bitcoin Red Team existe agora é porque precisamos chegar à frente dos invasores o mais rápido possível.”
A equipe começou a ganhar forma após o hack da carteira física Coldcard. Calle destacou que o grupo não encontrou problemas no protocolo principal da rede, mas o risco imediato reside em aplicativos, carteiras e serviços de terceiros.
“Embora o próprio Bitcoin seja seguro, o software que estamos usando para transacionar com Bitcoin pode não ser, e é com isso que a maioria das pessoas interage de qualquer maneira”, explicou o desenvolvedor.
Como a IA afeta a segurança do Bitcoin na prática
O avanço das ferramentas automatizadas eliminou a vantagem técnica que mantinha as vulnerabilidades de software longe de invasores iniciantes. Para os especialistas, essa evolução tecnológica exige um nível redobrado de foco na segurança do Bitcoin.
“Acho que não há mais segredos em software”, disse Calle. “Não há assimetria de informação que antes era usada para criar uma espécie de teatro de segurança ou segurança pela obscuridade. Esses tempos acabaram.”
Curiosamente, o Red Team utiliza ferramentas de inteligência artificial chinesas, e não americanas, para realizar suas varreduras de defesa. Segundo o pesquisador, as plataformas desenvolvidas nos Estados Unidos possuem regras rígidas que bloqueiam rotinas básicas de segurança cibernética.
“Embora os modelos de fronteira baseados nos EUA ainda sejam indiscutivelmente mais inteligentes do que quaisquer outros modelos no mundo, eles todos vêm com fortes barreiras de proteção, o que limita seu uso, especialmente no âmbito da segurança cibernética”, detalhou.
O setor de criptomoedas está lidando com esse novo paradigma tecnológico antes de outras indústrias devido ao evidente incentivo financeiro que a área proporciona aos criminosos.
“A primeira coisa que, como invasor, você gostaria de atacar é o dinheiro da internet”, concluiu Calle. “Então estamos no começo de uma mudança maior na sociedade ou em sistemas de computador em geral, e estou convencido de que outras indústrias experimentarão o mesmo que nós vivenciamos agora, mais tarde.”


