O Bitcoin está perdendo a preferência dos investidores para os títulos do Tesouro americano

O Bitcoin está perdendo a preferência dos investidores para os títulos do Tesouro americano

O mercado de criptomoedas enfrenta um cenário macroeconômico adverso. Os títulos do Tesouro dos Estados Unidos de 30 anos atingiram um rendimento de 5,3% no dia 17 de agosto, marca que não era registrada desde junho de 2007. Durante essa alta, o Bitcoin operava próximo aos US$ 64.610.

A probabilidade de um corte nas taxas de juros pelo Federal Reserve em setembro caiu de 55% para cerca de 31% em apenas uma semana. Esse contexto de juros altos e contínuos muda a dinâmica de risco para os ativos digitais.

Como a renda fixa americana afeta o Bitcoin

Ativos digitais não geram renda passiva intrínseca. Com os rendimentos reais dos títulos de 30 anos próximos a 3% — o maior nível em 18 anos, o Bitcoin passa a competir diretamente com a dívida governamental por capital financeiro de longo prazo.

Além do governo dos EUA, grandes empresas de tecnologia também estão captando recursos de forma agressiva. Alphabet, Amazon e Meta já emitiram quase US$ 220 bilhões em títulos desde o início do ano, mais que o dobro do volume total registrado por essas empresas durante todo o ano de 2025.

Paralelamente, o mercado de crédito cripto apresenta uma forte contração, embora de maneira estruturada. Um relatório da Galaxy sobre o segundo trimestre de 2026 mostra que os empréstimos garantidos por criptomoedas caíram para US$ 56,16 bilhões. O valor representa uma queda de US$ 22,53 bilhões em relação ao pico do terceiro trimestre de 2025.

Nas plataformas de finanças descentralizadas (DeFi), os empréstimos recuaram de US$ 47,13 bilhões no último mês de setembro para US$ 21,94 bilhões em 21 de julho. Ao contrário das liquidações forçadas e falências de 2022, a desalavancagem atual acontece de forma progressiva e controlada.

O cenário futuro para o mercado depende fortemente da evolução dessas taxas. Se o rendimento dos títulos de 30 anos recuar para menos de 5,1%, o Bitcoin pode encontrar suporte e buscar a faixa entre US$ 67.000 e US$ 72.000.

Por outro lado, se os juros flutuarem entre 5,4% e 5,7%, a concorrência pelo capital pode empurrar o Bitcoin para baixo dos US$ 60.000. Nesse cenário de alta nos títulos, a criptomoeda testaria a zona entre US$ 52.000 e US$ 58.000, influenciada pela combinação de fatores macroeconômicos e contração de derivativos.