
O preço do Bitcoin encerrou o dia abaixo da sua média móvel simples (SMA) de 50 dias pela primeira vez desde agosto. Negociado na casa de US$ 81.700, o ativo registra queda de 0,39% nas últimas 24 horas após ser rejeitado novamente próximo da região de US$ 85.000.
Esse movimento rompe um período de um mês de oscilações entre US$ 81.000 e US$ 85.000. Durante esse intervalo, variações bruscas liquidaram tanto posições compradas quanto vendidas, sem definir uma tendência clara de mercado.
No dia 22 de outubro, o gráfico diário registrou um dos maiores volumes de venda do mês, transformando a retração de 0,618 de Fibonacci (US$ 82.614) em uma barreira de resistência.
Ao mesmo tempo, as Bandas de Bollinger se estreitaram para cerca de US$ 6.000 de largura — bem abaixo dos US$ 30.000 registrados em agosto. Recentemente, o indicador atingiu o nível de maior compressão em quase dois anos e meio. Historicamente, essa perda de amplitude antecede fortes explosões de volatilidade, e a perda da média de 50 dias inclina as probabilidades para o lado vendedor.
Dados da Coinglass apontam que o maior bloco de liquidação na Binance está entre US$ 82.500 e US$ 82.650, coincidindo com o nível de Fibonacci. Abaixo do preço atual, há acúmulo de posições alavancadas perto de US$ 80.850 e na região de US$ 80.000.
Como a Binance representa 20% do interesse aberto total, esses pontos indicam onde ordens forçadas podem acelerar os movimentos.
O impacto das saídas de ETFs no preço do Bitcoin
O interesse aberto total no mercado de derivativos soma US$ 54,09 bilhões, com a taxa de financiamento (funding rate) ponderada em 0,0068%. Isso mostra que os investidores comprados ainda pagam para manter suas posições. Embora a taxa tenha recuado em relação ao início da semana, o posicionamento do mercado ainda não virou para o lado vendido, o que invalida a tese de um squeeze imediato.
O encerramento semanal dos contratos futuros da CME (com US$ 9,36 bilhões em interesse aberto) e o fechamento dos ETFs à vista nos EUA transferem a formação de preço para o mercado perpétuo offshore, onde a liquidez é menor. Paralelamente, os ETFs de Bitcoin à vista nos EUA registraram saídas líquidas de 3.964 BTC em 22 de outubro, o equivalente a cerca de US$ 322 milhões, interrompendo uma sequência de aportes.
Se houver um fechamento diário abaixo de US$ 81.000, o caminho fica aberto para o nível de 0,5 de Fibonacci, situado em US$ 77.876. Mais abaixo está a faixa de suporte do mercado de alta, que se estende da média móvel exponencial (EMA) de 21 semanas (US$ 76.700) até a SMA de 20 semanas (US$ 72.500), acompanhada pelo nível de 0,382 de Fibonacci em US$ 73.139.
Especialistas como Benjamin Cowen, membro do conselho de inteligência de mercado do BeInCrypto, destacam o risco de um recuo até essa zona. Um teste nessa região não encerra a tendência de alta de longo prazo, mas um fechamento semanal abaixo de US$ 72.500 colocaria a estrutura de alta em cheque.
Por outro lado, manter o preço do Bitcoin acima de US$ 82.600 pode gerar um movimento em direção a US$ 85.000, sendo que um fechamento diário acima de US$ 84.000 anula o cenário pessimista.







