O mercado de criptomoedas passa por uma calmaria aparente, mas os gráficos contam histórias bem diferentes para os líderes do setor. Enquanto o preço do Bitcoin tenta uma recuperação tímida, a Zcash chama a atenção dos investidores com movimentos de alta.
A principal criptomoeda do mercado passou os últimos dias sob a pressão de temores envolvendo computação quântica e inteligência artificial. O apresentador da CNBC, Jim Cramer, declarou que está se desfazendo de seus ativos por conta desses riscos, somando-se ao susto gerado por uma falha de segurança de US$ 130 milhões em carteiras Coldcard.
No cenário macroeconômico, o Federal Reserve manteve a taxa de juros entre 3,5% e 3,75%. Essa decisão deixa os investidores em compasso de espera, limitando movimentos mais expressivos para os ativos de risco.
Do outro lado, a Zcash tem motivos reais para subir. A criptomoeda focada em privacidade ativou sua atualização NU6.3, conhecida como Ironwood, no dia 28 de julho. O pacote reestruturou a base de privacidade da rede e corrigiu uma vulnerabilidade no código recém-descoberta por uma inteligência artificial.
Após uma leve queda logo na ativação da rede — um movimento comum de realização de lucros, os compradores voltaram a atuar. A Zcash opera na faixa de US$ 520, acumulando ganhos e mantendo sua narrativa de recuperação viva.
O que os indicadores apontam sobre o preço do Bitcoin
Atualmente negociado próximo a US$ 64.600, o preço do Bitcoin tenta buscar a média móvel exponencial (EMA) de 200 dias, localizada na faixa de US$ 66.500. O ativo lida com a chamada “cruz da morte”, formação que ocorre quando a média de 50 dias (US$ 64.200) cruza para baixo da de 200 dias, indicando que a trajetória de médio prazo ainda aponta para baixo.
Os indicadores técnicos do Bitcoin revelam um momento de indefinição. O Índice de Força Relativa (RSI) marca 53,5, em uma zona neutra, enquanto o indicador de aperto (squeeze) sugere que o ativo está acumulando energia. A resistência principal segue em US$ 66.500, e uma falha ao tentar superar essa marca pode abrir caminho para quedas em direção aos suportes de US$ 63.778 e US$ 56.000.
Já a Zcash exibe um cenário inverso nos gráficos. O ativo formou uma “cruz de ouro”, com sua EMA de 50 dias (US$ 504,15) posicionada acima da de 200 dias (US$ 488,40). Isso reforça que a recuperação da criptomoeda, iniciada após a forte queda de meados de junho, continua sólida e o ativo digeriu bem as perdas anteriores.
Para confirmar um novo salto, a Zcash precisa fechar acima da resistência local de US$ 525. Caso isso ocorra, o caminho fica livre para buscar os alvos de US$ 560 e US$ 600. No entanto, os analistas avaliam que tanto o Bitcoin quanto a Zcash ainda carecem de maior volume e força direcional (medida pelo índice ADX) para sustentar tendências longas sem oscilações bruscas.


