O preço do Bitcoin iniciou o mês com uma queda de 1%, sendo negociado abaixo da marca de US$ 78.000. O movimento coincide com o período que o mercado de criptomoedas historicamente chama de “Rektember”, uma combinação da palavra setembro com a gíria “rekt” (arruinado).
Desde 2013, este tem sido, em média, o mês de desempenho mais fraco para o ativo. Os registros históricos apontam uma perda média de cerca de 3%, com apenas cinco meses de retornos positivos computados nesse intervalo.
Apesar do peso histórico, as perspectivas recentes mostram que os últimos três meses de setembro entregaram ganhos aos investidores. O ativo também vem de uma escalada expressiva de 25% em agosto, cravando seu mês mais forte desde novembro de 2024.
Com essa alta prévia, analistas avaliam que o preço do Bitcoin pode estar pronto para uma fase de consolidação ou correção.
Fatores macroeconômicos que impactam o preço do Bitcoin
O atual cenário macroeconômico global impõe obstáculos diretos aos ativos de risco. O discurso firme do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, em Jackson Hole na última sexta-feira, deu ênfase à inflação elevada e desencadeou uma liquidação de títulos em escala global.
Em resposta, os rendimentos soberanos testaram novas máximas no ciclo. O rendimento dos títulos do Tesouro dos EUA de 10 anos saltou, alcançando a marca de 4,784%.
Os mercados financeiros agora precificam uma probabilidade de 66% para um aumento de 25 pontos-base na taxa de juros durante a reunião do Fed marcada para 16 de setembro. Uma nova elevação é esperada até o final do ano, projetando a meta dos fundos federais para a faixa de 4,00% a 4,25% até o encerramento de 2026.
Taxas de juros elevadas costumam restringir ativos de risco, pois apertam as condições financeiras e fortalecem o dólar americano. O impacto é generalizado, levando o ouro a registrar uma queda superior a 2% na terça-feira.
Paralelamente, os ataques contínuos dos EUA contra o Irã aprofundam a instabilidade no Oriente Médio. O petróleo bruto WTI chegou a US$ 88 o barril, avançando 2% em 24 horas e atingindo seu nível mais alto desde o final de julho.
A cautela também reflete no mercado tradicional: desde 1975, setembro é o único mês em que o S&P 500 apresenta uma média de retorno negativa.

