A mineração de Bitcoin perdeu espaço para a inteligência artificial em um data center de Michigan, nos Estados Unidos. A Hyperscale Data encerrou as operações de mineração no local para preparar a estrutura para um cliente de computação em nuvem voltada para IA.
A decisão foi anunciada pela empresa na quarta-feira, após a paralisação das máquinas de Bitcoin na terça. Segundo a Hyperscale, o contrato com o cliente, baseado na Califórnia e ainda não identificado, pode gerar mais de US$ 1,2 bilhão ao longo de 20 anos.
O acordo prevê inicialmente 10 anos de contrato, com duas possíveis extensões de cinco anos cada. O espaço contratado corresponde a 20 megawatts de capacidade.
“A immediate shutdown of the Bitcoin mining operations allows our team to focus the Facility’s power, infrastructure and resources in preparing the Facility for its usage by our Customer”, afirmou o CEO da Hyperscale Data, William Horne, no comunicado.
Além do contrato inicial, o cliente possui uma opção para adicionar outros 32 megawatts de capacidade nos dois primeiros anos. Caso essa expansão seja exercida e as duas extensões de cinco anos sejam utilizadas, a receita total do acordo pode ultrapassar US$ 3 bilhões.
Mineração de Bitcoin dá lugar à infraestrutura para IA
A mudança mostra como empresas que operam infraestrutura para mineração de Bitcoin estão avaliando alternativas diante do crescimento da demanda por capacidade computacional para inteligência artificial.
A Hyperscale afirmou que pretende vender os servidores utilizados na mineração e espera obter ganhos com essas vendas. A empresa, porém, ainda não informou quando as operações de IA começarão no data center de Michigan.
O CEO também disse acreditar que a mudança pode ajudar a reduzir a diferença de valuation entre a Hyperscale e outras empresas do setor de data centers, à medida que a companhia amplia sua infraestrutura contratada para computação.
A Hyperscale não é a única mineradora a considerar esse caminho. Outras empresas do setor também vêm adaptando instalações originalmente construídas para mineração de Bitcoin para atender à demanda de clientes de inteligência artificial.
Em março, Matthew Sigel, chefe de pesquisa de ativos digitais da VanEck, afirmou que os mineradores estão “sitting on a gold mine” diante da possibilidade de reutilizar sua infraestrutura para computação de IA.
A transição, porém, também envolve custos relevantes. Nos resultados trimestrais divulgados no mês passado, a IREN informou que sua receita de nuvem para IA superou pela primeira vez a receita de mineração de Bitcoin.
Ao mesmo tempo, a empresa registrou uma baixa contábil de US$ 450,4 milhões em ativos, valor atribuído principalmente a equipamentos de mineração que haviam sido retirados de operação.


