O êxodo dos mineradores de Bitcoin rumo à inteligência artificial

O êxodo dos mineradores de Bitcoin rumo à inteligência artificial

O hash rate do Bitcoin registra atualmente sua queda consecutiva mais longa. Desde novembro de 2025, a média de 30 dias do poder computacional da rede recuou 19%, caindo de 1.108 EH/s para 898 EH/s, segundo dados recentes da Glassnode.

Esse declínio de nove meses coincide com a maior migração de capital já vista entre os mineradores de criptomoedas. Grandes empresas do setor fecharam mais de US$ 70 bilhões em contratos de infraestrutura para inteligência artificial (IA), indicando que parte dessa capacidade computacional pode não retornar à rede original.

Historicamente, a rede passou por outras reduções significativas, mas com recuperações rápidas. Em 2021, as restrições na China causaram uma queda de 42%, revertida em poucos meses. Já em 2024, o ajuste pós-halving durou apenas um trimestre. O atual recuo no hash rate do Bitcoin, no entanto, apresenta características estruturais mais complexas.

O que a mudança no hash rate do Bitcoin significa para o mercado?

Em números absolutos, a rede perdeu cerca de 210 EH/s, um volume superior a todo o poder de processamento global existente no início de 2021. A pressão nas margens de lucro já impacta as operações diárias e resultou em reestruturações financeiras, como o pedido de recuperação judicial da Poolin no final de julho.

Com a saída em massa das máquinas, a dificuldade de mineração da rede tornou-se negativa na comparação anual pela segunda vez na história. O índice recuou 1,1% em relação ao ano passado e despencou 19,9% desde o pico registrado em novembro de 2025.

Diferente das quedas anteriores, onde os equipamentos apenas mudavam de base geográfica, agora os mineradores estão assinando contratos de hospedagem de IA com duração de 12 a 20 anos. Gigantes de tecnologia como Microsoft, AWS e Anthropic firmaram acordos multibilionários com mineradoras como TeraWulf, IREN e Core Scientific.

A transição foi impulsionada pela queda nos preços da criptomoeda frente aos altos retornos da inteligência artificial. Dados do setor indicam que a infraestrutura para IA paga de 3 a 25 vezes mais por megawatt do que a mineração tradicional. Isso levou empresas públicas a venderem mais de 32 mil unidades de BTC no primeiro trimestre para financiar a adaptação de seus data centers.

Com o ativo negociado na faixa de US$ 64.000, estimativas apontam que o custo atual de produção ronda os US$ 54.939 por moeda. O ajuste negativo na dificuldade ajuda a reduzir os custos para os mineradores que decidem permanecer na rede, equilibrando parte do cenário de margens apertadas.

O mercado diverge sobre os impactos de longo prazo dessa mudança estrutural. Enquanto executivos como Brian Armstrong, CEO da Coinbase, minimizam os riscos de segurança energética, analistas da Bitwise apontam que os mineradores podem se arrepender dos contratos longos caso a rentabilidade do ativo volte a registrar altas expressivas nos próximos anos.