ETFs de Bitcoin voltam a captar enquanto ETFs de Ethereum e XRP encerram sequência positiva

ETFs de Bitcoin voltam a captar enquanto ETFs de Ethereum e XRP encerram sequência positiva

Os ETFs de Bitcoin voltaram a registrar entradas nos Estados Unidos nesta quarta-feira, 3 de setembro, enquanto os fundos de Ethereum e XRP interromperam sequências de ganhos que já duravam vários pregões.

Segundo dados da SoSoValue e da Decrypt, os ETFs de Bitcoin receberam US$ 101,15 milhões em recursos no dia. O movimento veio após uma saída de US$ 236,5 milhões na sessão anterior, a maior retirada diária da categoria desde 31 de julho.

ETFs, ou fundos negociados em bolsa, permitem que investidores tenham exposição ao preço de um ativo por meio de uma conta tradicional de investimentos, sem precisar manter a criptomoeda diretamente. Por isso, os fluxos de entrada e saída são acompanhados de perto como um indicador de interesse institucional.

Os ETFs de Ethereum vinham de 12 sessões seguidas de entradas, período em que acumularam US$ 1,62 bilhão. A sequência terminou nesta quarta-feira, com saídas líquidas de US$ 48,08 milhões.

O maior fluxo negativo veio do iShares Ethereum Trust, da BlackRock, que perdeu US$ 53,4 milhões. O fundo da Fidelity, FETH, registrou saída de US$ 26,2 milhões, enquanto o ETHE, da Grayscale, teve retirada de US$ 23,5 milhões.

O ETF de Ethereum com staking da BlackRock, o ETHB, ajudou a compensar parte das perdas. O produto recebeu US$ 52,9 milhões no período.

No caso do XRP, os fundos acumulavam 11 sessões consecutivas de entradas, somando cerca de US$ 170 milhões no período. A sequência terminou com uma saída líquida de US$ 7,2 milhões, levando o acumulado desde o lançamento para aproximadamente US$ 1,68 bilhão.

Praticamente toda a retirada de XRP veio do produto da Bitwise. Os outros quatro ETFs da categoria, administrados por Franklin, Canary, 21Shares e Grayscale, não registraram movimentações líquidas.

ETFs de Bitcoin concentram o fluxo em meio à cautela

Enquanto Ethereum e XRP recuaram, os ETFs de Bitcoin seguiram na direção oposta. O principal destaque foi o IBIT, da BlackRock, que recebeu US$ 115,45 milhões sozinho — mais do que o total líquido registrado pela categoria.

Na outra ponta, o GBTC, da Grayscale, teve uma saída de US$ 56,21 milhões.

O movimento também foi diferente entre as principais criptomoedas. Os ETFs de Solana registraram saída de US$ 6,13 milhões na mesma sessão, deixando o Bitcoin como o único entre as quatro grandes categorias de ETFs cripto a apresentar entrada líquida.

Uma possível leitura desse cenário é uma concentração de capital em Bitcoin, em vez de uma retirada generalizada do mercado de criptomoedas. O ativo continua sendo o maior do setor e conta com maior liquidez e um histórico institucional mais longo.

Também existe um fator de curto prazo. Ethereum e XRP acabavam de completar suas maiores sequências de entradas em meses, o que torna uma pausa ou realização de posições menos surpreendente. Já os ETFs de Bitcoin vinham de uma sessão negativa e encontraram espaço para recuperar parte das perdas.

O mercado ainda enfrenta um ambiente macroeconômico mais sensível. Comentários considerados mais duros do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, elevaram para acima de 60% as apostas de alta de juros em setembro na ferramenta FedWatch, da CME.

Nesse contexto, Bitcoin tende a ser tratado como o ativo mais líquido e consolidado entre os ETFs de criptomoedas. Ethereum e XRP, por terem produtos mais recentes e menor liquidez relativa, podem sofrer movimentos de saída mais rapidamente quando investidores reduzem exposição.

A recuperação desta quarta-feira acontece depois de um agosto forte para os ETFs de Bitcoin. Os fundos acumularam US$ 3,52 bilhões em entradas no mês, o melhor resultado mensal de 2026, incluindo uma captação diária de US$ 606 milhões em meados de agosto.

Com isso, os ativos líquidos totais da categoria chegaram a US$ 97,22 bilhões. Desde o lançamento dos ETFs spot de Bitcoin, em janeiro de 2024, as entradas acumuladas estão próximas de US$ 54,7 bilhões.

Apesar do resultado positivo de agosto, setembro começa com um histórico menos favorável para o Bitcoin. A criptomoeda fechou o mês em queda em oito dos últimos 13 anos, padrão que a Decrypt acompanha sob o nome de “Red September”.

Este ano, o período também será marcado pela reunião do Federal Reserve nos dias 15 e 16 de setembro, em meio às expectativas sobre os juros americanos.