Os ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos registraram a maior entrada líquida diária desde meados de janeiro. O movimento reflete a expectativa dos investidores por um cenário macroeconômico mais favorável.
Na última quinta-feira, esses fundos atraíram um total de US$ 730,9 milhões, de acordo com dados da plataforma financeira SoSoValue.
O grande motor desse fluxo de capital foi o fundo IBIT, da gestora BlackRock, que sozinho captou cerca de US$ 454 milhões. Outros seis fundos, administrados por gigantes como Fidelity e Grayscale, também reportaram saldos positivos no mesmo período.
O volume financeiro diário é o maior registrado desde 14 de janeiro e consolida o melhor desempenho mensal dos ETFs de Bitcoin desde setembro de 2025. Apenas no último mês, esses instrumentos captaram US$ 3,5 bilhões no mercado americano.
Para Rachael Lucas, analista de criptomoedas da BTC Markets, esse volume expressivo mostra que os investidores institucionais estão acumulando ativamente o ativo digital.
“A concentração no IBIT é o indicativo”, afirmou Lucas. “Esse é o veículo que as instituições usam para grandes volumes, o que aponta para um fluxo de alocação em vez de posicionamento tático.”
O impacto macroeconômico nos ETFs de Bitcoin
Especialistas do setor avaliam que o atual ambiente econômico serviu como o principal catalisador para esse interesse renovado. Os comentários recentes de Christopher Waller, diretor do Federal Reserve (Fed), trouxeram otimismo ao mercado.
“O diretor do Fed, Waller, basicamente deu sinal verde ao mercado; ele disse que está inclinado a manter as taxas estáveis se a inflação continuar esfriando, o que fez as ações de crescimento e as criptomoedas dispararem”, explicou Jeff Mei, diretor de operações da BTSE, em entrevista ao portal The Block.
Esse cenário positivo refletiu diretamente nas ações de empresas ligadas ao setor de criptoativos. Segundo dados do The Block, as ações da MicroStrategy subiram 17,6%, cotadas a US$ 144,80. A Coinbase avançou 10% para US$ 192,70, enquanto a Circle encerrou o dia com alta de 16,5%, negociada a US$ 103,23.
O preço do ativo principal também acompanhou o fluxo de capital. A criptomoeda superou a marca de US$ 81.000 na noite de quinta-feira e continua sendo negociada próximo ao nível de US$ 80.950.
No entanto, os próximos indicadores econômicos dos Estados Unidos serão decisivos para manter a tendência de alta no curto prazo.
“A curto prazo, o risco são os dados. Empregos, depois o IPC [índice de preços ao consumidor]”, pontuou Lucas. “Waller condicionou a leitura otimista ao resfriamento da inflação, então um resultado alto reverte a premissa diretamente.”
A analista destacou ainda que a correlação de 90 dias do bitcoin com o ouro atingiu o maior patamar em seis anos, ultrapassando a marca de 50%. Ao mesmo tempo, a correlação com o índice S&P 500 caiu para quase zero, sugerindo que o mercado passou a precificar o ativo como uma proteção contra a inflação, e não apenas como um investimento de risco.


