O mercado de criptomoedas inicia o mês de julho em tom de forte cautela após cada ETF de Bitcoin nos Estados Unidos enfrentar saídas líquidas recordes durante o mês de junho. O movimento acompanha um cenário global de aversão ao risco que empurrou a principal moeda digital para patamares abaixo de US$ 59 mil.
Na manhã desta quarta-feira (1), o Bitcoin registrava uma desvalorização de 0,6%, negociado a US$ 58.430. No mesmo período, o Ethereum exibia uma leve baixa de 0,2% para US$ 1.579, a BNB recuava 0,6%, o XRP exibia estabilidade e a Solana subia 2,5%.
Fatores macroeconômicos e SpaceX pressionam o ETF de Bitcoin
Dados consolidados pela plataforma SoSoValue apontam que os fundos de índice à vista registraram perdas líquidas de US$ 4,5 bilhões em junho. O resultado marca o pior desempenho mensal desde a estreia do primeiro ETF de Bitcoin spot em janeiro de 2024, superando em 29% o recorde negativo anterior registrado em fevereiro de 2025.
Apenas o fundo IBIT, gerido pela BlackRock, respondeu por uma retração de US$ 3,55 bilhões desse montante total líquido. Essa forte movimentação de resgates fez com que o patrimônio sob gestão de cada ETF de Bitcoin no mercado caísse de US$ 83 bilhões para US$ 71 bilhões ao longo de trinta dias.
Analistas apontam que a estreia da SpaceX no mercado de capitais em 12 de junho atraiu intensamente a atenção dos investidores de varejo e institucionais. A captação bilionária absorveu cerca de US$ 75 bilhões globalmente, reduzindo de forma direta a liquidez disponível para o ecossistema cripto.
Dias depois, a primeira reunião do Federal Reserve sob a liderança de Kevin Warsh aumentou o posicionamento defensivo das instituições. O comitê sinalizou uma postura firme em direção a juros elevados e descartou cortes imediatos nas taxas, motivando fundos a diminuírem ativos altamente voláteis da carteira.
Essa conjuntura macroeconômico complexa elevou o índice de volatilidade implícita de 30 dias da moeda (BVIV) em quase 22% no período. O avanço ocorreu em paralelo à queda de 20% no preço à vista do ativo, consolidando a correlação inversa típica de momentos de forte cautela institucional.
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