Um grupo de seis carteiras inativas de Bitcoin acordou de um longo sono em agosto. Entre os dias 16 e 26, esses endereços, que não registravam atividade desde o período entre 2011 e 2014, transferiram um total de 553,59 BTC, o equivalente a cerca de US$ 40 milhões.
Um dos endereços não movimentava qualquer quantia há mais de 15 anos. Transferências desse tipo costumam gerar receio no mercado de que os primeiros investidores da criptomoeda estejam se preparando para vender seus ativos e realizar lucros.
Apesar desse evento pontual, o cenário geral é de estabilidade. Dados da Galaxy Research mostram que a movimentação de moedas adormecidas na rede caiu no segundo trimestre para o menor nível desde o final de 2022.
Segundo Alex Thorn, chefe de pesquisa da empresa, o ano de 2026 caminha para registrar menos da metade do volume de carteiras inativas de Bitcoin movimentado no ano passado. Isso marca uma desaceleração profunda após dois anos intensos, que tiveram níveis comparáveis apenas ao mercado de alta de 2017.
Por que as carteiras inativas de Bitcoin estão se movendo agora?
Transferir moedas não significa obrigatoriamente uma venda. Das seis carteiras recentes, cinco enviaram o saldo para endereços sem nenhuma ligação com corretoras. Apenas uma transferiu 40 BTC para a Boerse Stuttgart Digital, provedora alemã de custódia.
Parte dessas movimentações recentes tem origem em disputas legais. Duas das carteiras possuem ligação com um processo em Nova York, onde um autor anônimo chamado Noah Doe tenta assumir o controle de 39.069 endereços através das leis de bens perdidos do estado, enviando frações de moedas e notificações judiciais.
Falhas de segurança também motivaram transferências preventivas. Após a descoberta de uma vulnerabilidade nas carteiras físicas Coldcard em julho, cerca de 210.000 BTC de detentores de longo prazo foram transferidos em uma única semana para novos endereços ou custódias regulamentadas.
O mercado também debate se o avanço da computação quântica poderia ameaçar a criptografia das carteiras inativas de Bitcoin, mas especialistas descartam essa influência nas movimentações atuais. “Trabalhamos com muitas baleias e nenhuma mencionou a questão quântica como motivo para venda”, afirmou Thorn.


