O Bitcoin voltou a chamar atenção dos analistas após um conjunto de indicadores on-chain sinalizar que o mercado entrou em uma zona historicamente associada à acumulação. Dados da Glassnode mostram que 41 dos 45 indicadores monitorados estão entre os 40% mais baixos de seus históricos, um comportamento observado anteriormente apenas nas fases finais de mercados de baixa.
O principal indicador da plataforma, o Bitcoin Cycle Composite, reúne 45 métricas on-chain em uma pontuação de 0 a 100. Atualmente, o índice está em 19,9, nível considerado típico de períodos de capitulação. A última vez que o indicador esteve nessa faixa foi no fim de 2022, após o colapso da FTX.
Segundo o analista conhecido como n3ocortex, responsável por divulgar os dados nas redes sociais, a deterioração ocorreu rapidamente. Há cerca de três meses, a mediana do indicador estava próxima de 33. Agora, caiu para aproximadamente 20, com 41 dos 45 indicadores posicionados nos dois quintis inferiores de seus ciclos históricos.
Entre os sinais mais extremos estão métricas como Price/Power Law, Coinbase Premium de 7 dias, Dormancy Flow, Reserve Risk e MVRV Median, todas registrando percentuais historicamente baixos.
Apesar disso, o analista evita afirmar que o mercado já encontrou seu fundo definitivo. Segundo ele, o cenário representa a fase mais fria desde a crise da FTX, mas ainda não há a convergência completa de indicadores que, em ciclos anteriores, marcou o encerramento do mercado de baixa.
Indicadores do Bitcoin ainda não confirmam o fundo do mercado
Os dados da CryptoQuant chegam a uma conclusão semelhante por outro caminho. O indicador Adaptive Sell-side Risk Ratio caiu para 0,031, equivalente ao 3º percentil do atual ciclo iniciado após o halving de 2024. Na prática, isso significa que a métrica está abaixo de 97% das leituras registradas desde abril de 2024.
Além disso, o indicador permanece abaixo do 25º percentil desde o fim de janeiro, enquanto sua média móvel de dois meses continua inferior a 5%. Para a CryptoQuant, esse comportamento caracteriza um longo período de compressão do mercado e de reprecificação dos ativos.
Historicamente, leituras semelhantes apareceram apenas durante os estágios finais dos mercados de baixa. Ainda assim, isso não garante uma recuperação imediata. Nos ciclos de 2018–2019 e 2022–2023, métricas parecidas permaneceram nesses níveis durante vários meses, enquanto o preço continuou oscilando e chegou a registrar novas mínimas antes da retomada.
Outras análises apontam para a mesma cautela. Modelos anteriores indicaram uma possível região de fundo próxima de US$ 44 mil, enquanto o analista Benjamin Cowen também destacou esse patamar como possível alvo para o quarto trimestre de 2026.
Ao mesmo tempo, grandes investidores acumularam 40.100 BTC em apenas nove dias no fim de julho, indicando que parte do mercado já começou a aumentar posição.
Por enquanto, os indicadores sugerem que o Bitcoin entrou em uma área historicamente favorável para acumulação de longo prazo, mas ainda não oferecem confirmação de que o mercado de baixa chegou ao fim.


