Baleias do Bitcoin acumulam R$ 86 bilhões em meio a saídas recordes nos ETFs dos EUA

Baleias do Bitcoin acumulam R$ 86 bilhões em meio a saídas recordes nos ETFs dos EUA

As grandes baleias do Bitcoin aproveitaram a recente queda de preços para acumular mais de 270 mil BTC nas últimas duas semanas. A movimentação soma cerca de US$ 16,7 bilhões (R$ 86 bilhões) e mostra uma divisão clara entre diferentes perfis de investidores no mercado.

Esse movimento agressivo de compra por parte das baleias do Bitcoin ocorreu de forma paralela ao pior período de resgates dos fundos de índice (ETFs) à vista da criptomoeda nos Estados Unidos. O prêmio no mercado à vista permaneceu negativo, indicando que as ordens de compra não partiram das mesas institucionais americanas.

Em junho, os ETFs de Bitcoin baseados nos EUA registraram uma retirada líquida de US$ 4,06 bilhões, superando o recorde anterior de resgates de US$ 3,56 bilhões visto em fevereiro de 2025. Esse fluxo negativo fez com que os fundos entrassem em saldo negativo no acumulado do ano de 2026 pela primeira vez. A sequência de saídas só foi interrompida na última quinta-feira, com uma entrada de US$ 221 milhões.

De acordo com analistas da Bitfinex, o cenário de disputa entre a pressão de venda institucional e a forte absorção por grandes carteiras de longo prazo costuma acontecer perto de momentos de fundo de ciclo, quando investidores mais resilientes retiram moedas de circulação.

Como a atuação das baleias do Bitcoin e o cenário macro afetam o mercado

Além do mercado da principal criptomoeda, o ecossistema de altcoins apresentou comportamentos distintos. A Solana se destacou ao subir aproximadamente 15% desde o começo de junho, impulsionada por atualizações de protocolo e por um salto de 120% nas transferências on-chain de ativos reais tokenizados (RWA), que alcançaram US$ 8,53 bilhões.

Por outro lado, tokens de redes de Layer 2, como a Optimism, operam perto de suas mínimas históricas. A desvalorização se intensificou após a rede Base, desenvolvida pela Coinbase, deixar de utilizar a tecnologia compartilhada da Optimism, o que enfraqueceu a tese de arrecadação de taxas do ativo.

O cenário macroeconômico também continua ditando o ritmo dos preços. A inflação de maio nos Estados Unidos atingiu 4,2%, vindo acima do esperado e pressionando os ativos de risco pela expectativa de manutenção de juros altos por mais tempo.

Contudo, declarações recentes de Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve, apontaram uma redução nos riscos inflacionários durante o fórum do Banco Central Europeu em Sintra. Analistas avaliam que a continuidade na acumulação por parte das baleias do Bitcoin, somada a dados de inflação mais fracos no futuro, pode abrir espaço para uma recuperação consistente.