Alta do Bitcoin rompe US$ 72 mil: o que falta para o rali continuar?

Alta do Bitcoin rompe US$ 72 mil: o que falta para o rali continuar?

A recente alta do Bitcoin levou a criptomoeda acima de US$ 72 mil na quinta-feira, marcando o seu maior valor desde o mês de junho. Com um ganho de quase 15% desde segunda-feira, o movimento do mercado liquidou mais de US$ 3 bilhões em posições que apostavam na queda do ativo, o maior volume desde 2021.

O entusiasmo também se refletiu nos produtos de investimento. Os ETFs de Bitcoin à vista registraram entradas de US$ 517 milhões na quarta-feira, o maior fluxo diário desde maio. Fatores macroeconômicos foram decisivos para essa injeção de capital.

Julio Moreno, chefe de pesquisa da CryptoQuant, explicou que a valorização foi impulsionada pela compra de títulos pelo Tesouro dos EUA, aumentando a liquidez, e por comentários de Donald Trump sobre a possibilidade de o governo americano adquirir a criptomoeda.

“A recuperação pode ser sustentável se o crescimento da demanda à vista continuar após o impacto inicial desses eventos macroeconômicos”, disse Moreno. Ele também ressaltou que, oficialmente, o mercado ainda tem características de baixa, tornando possível uma correção de preço.

O que falta para manter a alta do Bitcoin?

Apesar do cenário positivo, analistas alertam que a força motriz recente foi a liquidação forçada de posições vendidas, e não necessariamente uma onda de novos compradores. Nicolai Sondergaard, da Nansen, apontou que o ativo superou a marca técnica de US$ 69 mil, mas advertiu sobre a vulnerabilidade atual.

“O maior risco é que isso tenha sido um pico de compressão de posições vendidas, e não compras novas e sustentadas”, afirmou Sondergaard. Ele destacou que, se essa cobertura forçada se esgotar, a falta de volume pode reverter a tendência rapidamente.

Adam McCarthy, pesquisador da Lo:Tech, concorda com a visão cautelosa. Ele destacou que mais da metade do ganho de quarta-feira ocorreu em uma única hora, exatamente quando traders foram forçados a sair de suas posições vendidas.

Por outro lado, alguns especialistas veem sinais de um fundo de mercado consolidado. Ishmael Asad, da Bitwise, considera este movimento a confirmação mais forte de que o pior já passou, embora não espere que o ritmo atual se mantenha na mesma velocidade.

Já James Butterfill, da CoinShares, avalia que a criptomoeda deve negociar dentro de um intervalo de preços antes de um rompimento definitivo. Para ele, o nível de US$ 80 mil é a próxima resistência crucial, mas exigirá sinais mais claros do Federal Reserve sobre a flexibilização das taxas de juros.