Especialistas divergem se a recente alta do Bitcoin sinaliza um novo ciclo

Especialistas divergem se a recente alta do Bitcoin sinaliza um novo ciclo

O Bitcoin registrou um forte avanço nos últimos dias, atingindo o patamar de US$ 79.200 na sexta-feira antes de recuar para a faixa de US$ 77.500. Esse salto nos preços dividiu a opinião de analistas sobre a consolidação de um novo ciclo de valorização.

Mati Greenspan, fundador da Quantum Economics, acredita que o cenário atual apresenta as características clássicas de um fundo de mercado. Ele observa que o movimento começou com o rompimento de níveis técnicos que forçaram o fechamento de posições vendidas.

Segundo Greenspan, os investidores que aguardavam a criptomoeda cair para US$ 40.000 agora tentam entrar rapidamente no mercado. Ele também cita o ambiente regulatório dos Estados Unidos, com a Casa Branca debatendo reservas na moeda e a SEC buscando maior clareza, como fatores positivos.

Jason Fernandes, cofundador da AdLunam, prefere adotar uma postura cautelosa. Ele argumenta que, sem fluxos constantes de capital para os ETFs à vista e um alívio nas taxas de juros globais, a atual alta do Bitcoin pode perder força ao encontrar resistências.

Fernandes explica que os meses de negociação abaixo de US$ 66.000 acumularam muitas posições vendidas agressivas. O avanço dos preços liquidou esses contratos em cascata, forçando recompras que aceleraram a subida do ativo e ativaram robôs de investimento.

Como as liquidações forçadas explicam a alta do Bitcoin

Adam Morgan McCarthy, pesquisador chefe da LO:TECH, detalhou a mecânica desse movimento inicial em direção aos US$ 70.000. Ele observou que mais da metade do ganho de 7,1% registrado na quarta-feira ocorreu em uma única hora.

Para McCarthy, essa concentração extrema de volume em pouco tempo é a assinatura clara de um fechamento forçado de posições, conhecido como short squeeze. Ele contrasta esse comportamento com o do ouro, que subiu de forma contínua após o Tesouro dos EUA aumentar suas recompras de títulos.

O pesquisador avalia que o ouro reflete o verdadeiro sinal macroeconômico atual de proteção contra a inflação, enquanto a recente alta do Bitcoin foi inflada por essas compras automáticas no mercado de derivativos.

Tobias Bauer, cofundador da TBV, reforça os sinais de superaquecimento no mercado futuro. Ele destaca que a corretora Binance chegou a negociar US$ 1,26 bilhão em contratos de Bitcoin em apenas 60 segundos, tornando a manutenção de posições compradas alavancadas muito cara no momento atual.