O mercado de criptomoedas encerra o mês em território positivo, já que a alta do Bitcoin de 9,3% em julho representa o primeiro ganho mensal da moeda desde o último mês de abril. Apesar da valorização no período, os dados mostram que a atividade dos investidores enfraqueceu.
A recuperação de preços não foi acompanhada pelo ritmo de negociações no mercado à vista. O volume de negociação caiu para os níveis mais baixos dos últimos anos, e a demanda de investidores institucionais também diminuiu. Isso evidencia uma disparidade clara entre o desempenho do ativo e a participação real dos investidores.
Em junho, o ativo havia registrado uma queda de 20,4%, o pior resultado mensal desde junho de 2022, de acordo com dados da plataforma Coinglass. Em julho, a criptomoeda conseguiu reverter a sequência negativa. Após iniciar o mês perto de US$ 58.000, o ativo voltou a subir e chegou a ser negociado na faixa de US$ 64.058 recentemente.
No entanto, a alta do Bitcoin ocorreu em meio a um cenário de baixa movimentação financeira. A K33 Research apontou que o volume médio diário de negociação à vista em julho ficou em torno de US$ 2,2 bilhões, colocando o mês no caminho para registrar a menor média desde novembro de 2023.
O que falta para manter a alta do Bitcoin?
O analista on-chain Darkfost destacou que os volumes à vista despencaram mais de 75% em comparação com o final do ano anterior. Na corretora Binance, o volume movimentado foi de pouco mais de US$ 35 bilhões em julho, contra US$ 246 bilhões registrados em novembro. Outras plataformas também registraram quedas no período, como Bybit (85%), OKX (67%) e Coinbase (61%).
“Neste cenário, um retorno do Bitcoin a uma tendência de alta parece condicionado a uma mudança no regime macro, e acima de tudo a um retorno da demanda, o único fator real capaz de impulsionar os volumes para cima”, afirmou o analista.
Os dados de fluxo das corretoras confirmam a falta de ímpeto atual do mercado. O especialista Axel Adler Jr. ressaltou que não há uma mudança de direção clara na oferta da criptomoeda. As entradas nas exchanges estão perto de 60.000 moedas na média de 30 dias, uma queda de cerca de 25% em relação aos dados registrados há um ano.
“As exchanges não estão acumulando oferta adicional, mas também não há uma retirada em larga escala de moedas que poderia criar uma escassez de oferta líquida”, explicou Adler Jr. A empresa de análise Glassnode indicou que a situação reflete o desinteresse dos investidores, sem movimentos claros de acumulação ou distribuição.
No setor institucional, o cenário é semelhante. O fluxo semanal para os ETFs à vista de Bitcoin nos Estados Unidos começou julho com entradas de US$ 197,4 milhões, mas encolheu de forma constante até registrar saídas líquidas de US$ 29,3 milhões no fim do mês. Sem um novo catalisador para aumentar a demanda, a atual alta do Bitcoin pode encontrar dificuldades para se sustentar.





