As ações de mineração de Bitcoin registraram uma queda de aproximadamente 20% recentemente, impulsionadas pelo recuo no entusiasmo dos investidores em inteligência artificial (IA) e semicondutores. No entanto, o preço do próprio Bitcoin (BTC) passou praticamente ileso por essa turbulência.
De acordo com um relatório da 10x Research divulgado nesta terça-feira, as empresas do setor deixaram de funcionar como puros reflexos do mercado cripto. Agora, os papéis dessas companhias respondem mais às cadeias de suprimentos de chips e à demanda por computação de dados.
Dados da firma mostram que a Riot Platforms (RIOT), por exemplo, vem se movimentando em sincronia com o ETF de semicondutores SOX desde abril de 2026. Ambas as classes de ativos recuaram juntas de suas máximas históricas nos últimos dias.
Essa nova dinâmica nações de mineração de Bitcoin significa que os investidores de criptoativos precisam monitorar de perto o cenário tecnológico global. Atualmente, as avaliações das mineradoras sofrem influência direta de ações chinesas de modelos de linguagem (LLM) e da cadeia de chips sul-coreana. Um exemplo claro foi a Samsung, cujas ações caíram 6% apesar de prever um lucro 19 vezes maior.
Por que o descolamento protegeu as ações de mineração de Bitcoin?
Para financiar essa transição robusta rumo aos data centers de IA, as mineradoras realizaram vendas expressivas de ativos nos meses anteriores. No primeiro trimestre, as empresas listadas em bolsa liquidaram um recorde de 32.000 BTC, superando todo o volume vendido em 2025. O montante supera inclusive os 20.000 BTC negociados durante o colapso da Terra-Luna em 2022.
A Riot vendeu sozinha 3.778 BTC por US$ 289,5 milhões no período — mais do que o dobro de sua produção física, reduzindo seu caixa em 18% na comparação anual. Por outro lado, lideranças do setor, como o CEO da Blockstream, Adam Back, defendem a migração para a IA como uma estratégia inteligente para turbinar as margens de lucro.
No passado, as ações de mineração de Bitcoin funcionavam como um termômetro alavancado do mercado cripto. Em 2020, a Riot valorizou 1.417% enquanto o BTC subiu 298%. Já no mercado de baixa de 2022, a empresa recuou 85% contra uma queda de 65% da criptomoeda. Esse padrão histórico se rompeu.
Neste ano de 2026, enquanto o Bitcoin acumula uma queda de 29%, as ações de mineração de Bitcoin mostram um comportamento oposto: a Riot avança 80% e a MARA valoriza 44% no acumulado do ano. Isso prova que o mercado acionário adotou uma tese totalmente diferente para o setor.
Na última terça-feira, a Riot caiu 7,5% (cotada a US$ 21,16) e a MARA recuou 6% (para US$ 12,17). Por outro lado, o Bitcoin seguiu resiliente na faixa de US$ 63.000, sustentando-se bem acima do suporte crucial de US$ 58.115.
Especialistas da 10x Research apontam que o recuo nas ações de mineração de Bitcoin reflete apenas uma compressão de múltiplos baseada no sentimento sobre chips e inteligência artificial, sem afetar a oferta e demanda real da moeda digital. Além disso, a forte pressão de venda dos mineradores ocorreu meses atrás e já foi inteiramente absorvida — a Strategy, por exemplo, comprou sozinha 44.377 BTC em março.




