O bilionário Stanley Druckenmiller, conhecido por investir durante 30 anos sem registrar perdas anuais, fez um movimento inesperado no último trimestre. O gestor realocou fundos de gigantes de hardware e inteligência artificial para apostar em ações de mineração de Bitcoin.
Através do seu family office, o Duquesne, ele investiu US$ 125,6 milhões nesse setor. Para abrir espaço na carteira, Druckenmiller vendeu papéis de empresas tradicionais de chips como Broadcom, Intel e Micron Technology.
Os dados vieram do relatório trimestral 13F, documento obrigatório para grandes investidores, que mostra a composição do portfólio referente a 30 de junho. A maior posição adquirida foi na Bitdeer Technologies, totalizando US$ 64,7 milhões.
Na sequência, o gestor aportou US$ 36,3 milhões na Hut 8, US$ 20,7 milhões na Riot Platforms e US$ 4 milhões na IREN. O valor total corresponde a cerca de 2,4% do seu portfólio de US$ 5,21 bilhões.
O atrativo por trás das ações de mineração de Bitcoin
Druckenmiller optou por não comprar a criptomoeda diretamente ou fundos de índice (ETFs) à vista. O alvo central dessa estratégia com as ações de mineração de Bitcoin é o controle sobre a infraestrutura de energia elétrica.
Garantir novas conexões com a rede de energia para alta capacidade pode demorar anos. As mineradoras passaram a última década travando contratos de eletricidade barata, e agora as empresas de inteligência artificial precisam dessa infraestrutura imediatamente.
A Bitdeer, por exemplo, não apenas extraiu 2.694 Bitcoins no trimestre passado, mas também firmou um acordo de US$ 4,7 bilhões com a Volta. O contrato envolve ceder infraestrutura na Noruega para hospedar chips da Nvidia voltados a um laboratório de IA.
Apesar de se desfazer de alguns papéis, o investidor não abandonou o setor de tecnologia avançada. Ele aumentou sua posição na Taiwan Semiconductor para US$ 281,6 milhões e abriu novas frentes em empresas como Advanced Micro Devices (AMD) e Alphabet.
No curto prazo, o movimento ainda não gerou lucros. Desde o final de junho, as ações de mineração de Bitcoin sofreram quedas constantes, acompanhando a pressão sobre o setor. A Bitdeer recuou 25,5%, enquanto Hut 8 e Riot caíram mais de 24%.
Essa desvalorização dos papéis representa uma perda não realizada de aproximadamente US$ 30,7 milhões na carteira atual. Em contraste direto, o próprio Bitcoin subiu cerca de 33% no mesmo período, saltando da faixa de US$ 58.600 para mais de US$ 81.000.
O mercado observa o movimento de Druckenmiller de perto por conta do seu histórico impecável de ganhos médios de 30% ao ano. Vale lembrar que o relatório 13F é apenas uma fotografia de junho, e o gestor pode ter realizado novas compras ou vendas desde então.


