O USDT está voltando ao Bitcoin mais de uma década depois de sua estreia na rede. A Tether prepara uma nova versão da stablecoin, com foco em pagamentos privados e transações em que a maior parte dos detalhes não fica registrada publicamente no Bitcoin.
O movimento amplia o suporte da Tether ao Bitcoin, mas não significa que o USDT esteja deixando as redes onde já circula em grande escala, como Tron e Ethereum.
O que muda para quem usa USDT no Bitcoin
Na prática, a mudança ainda é limitada para os usuários. Os tokens que estão hoje em Tron e Ethereum permanecem nessas redes, segundo o anúncio da Tether.
A proposta é permitir que exchanges e carteiras ofereçam transferências privadas, conversões entre BTC e USDT e empréstimos garantidos por Bitcoin.
“Bitcoin deserves a stablecoin that feels truly native, lightweight, private, and scalable”, disse Paolo Ardoino, CEO da Tether, ao apresentar a iniciativa em 2025.
A tecnologia por trás da nova versão é o RGB, um sistema criado para emitir tokens sobre o Bitcoin. Nesse modelo, os detalhes do pagamento ficam principalmente entre quem envia e quem recebe, enquanto apenas uma pequena impressão digital da operação é registrada na blockchain.
Para quem utiliza a stablecoin, o valor continua vinculado ao dólar. A principal diferença está na rede pela qual o token circula.
USDT continua em Tron e Ethereum
Não há indicação de que a Tether esteja retirando o USDT de Tron ou Ethereum. Atualmente, cerca de US$ 92 bilhões em USDT estão na rede Tron e outros US$ 74 bilhões em Ethereum, concentrando mais de 90% da oferta total entre as duas blockchains, segundo dados citados na fonte.
A própria comunicação da Tether descreve a iniciativa como uma expansão do suporte ao Bitcoin, e não como uma substituição das redes atuais.
A empresa já encerrou o suporte a redes no passado. Em setembro de 2025, deixou de atender cinco redes antigas, entre elas a Omni, plataforma baseada em Bitcoin na qual o USDT foi lançado originalmente.
A nova implementação está sendo conduzida pela Utexo, startup que recebeu US$ 7,5 milhões em uma rodada liderada pela Tether. O cofundador Viktor Ihnatiuk afirmou nesta semana que a empresa já possui uma licença comercial para emitir o token.
A Utexo também desenvolveu uma ponte para movimentar USDT entre redes. De acordo com a RGB Protocol Association, os ativos são recebidos principalmente de Ethereum e Tron.
Privacidade do USDT traz outro desafio
A adoção do USDT no Bitcoin também levanta uma questão diferente: como funcionará o congelamento de tokens em uma estrutura mais privada?
A Tether já utiliza o congelamento de USDT como uma ferramenta de conformidade. Quando senadores americanos afirmaram que o Irã utilizava a stablecoin para contornar sanções, a empresa respondeu citando cerca de US$ 550 milhões em ativos congelados.
Nas redes Tron e Ethereum, as transferências ficam registradas publicamente, permitindo que investigadores acompanhem o fluxo dos ativos. A versão baseada em RGB, por outro lado, foi desenhada para esconder grande parte desse histórico.
A comunicação da Tether não detalha como os congelamentos funcionariam nesse ambiente. A Utexo contratou a empresa de rastreamento blockchain Crystal Intelligence para questões de compliance, segundo a RGB Protocol Association.
Ihnatiuk, porém, relativizou o papel da privacidade na tecnologia. “RGB…is mainly just a token standard, one that also brings you privacy, but that’s more of a side feature”, afirmou, segundo a organização.
O lançamento também ultrapassou a janela de meados de setembro que a Utexo anteriormente considerava realista.
Enquanto isso, a startup já conversou com o Morgan Stanley sobre o USDT no Bitcoin. O suporte à Lightning Network, usada para pagamentos mais rápidos na rede, deverá chegar depois do lançamento. Até que carteiras e exchanges habilitem a tecnologia, o USDT baseado em Bitcoin ainda não terá onde circular amplamente.







