O mercado de criptomoedas entrou na quarta-feira, 2 de setembro, sob pressão depois dos ataques aéreos dos Estados Unidos contra o Irã. Solana e Tron lideraram as perdas entre as principais criptomoedas, enquanto o Bitcoin recuou menos e mostrou maior resistência.
O Bitcoin era negociado perto de US$ 77.500 durante o pregão asiático. A queda nas maiores altcoins, porém, foi mais intensa: Solana voltou à região de US$ 100, com baixa superior a 3% nas últimas 24 horas, enquanto Tron recuou para aproximadamente US$ 0,32.
Ether caiu cerca de 2% e era negociado pouco acima de US$ 2.414. O XRP também perdeu quase 2%, para cerca de US$ 1,35. Dogecoin recuou quase 2%, para pouco mais de US$ 0,08, enquanto HYPE caiu mais de 1%, para aproximadamente US$ 83.
Entre as principais criptomoedas, a BNB apresentou a menor queda. O ativo recuava menos de 1% e era negociado em torno de US$ 687. Apesar da pressão inicial, os ativos passaram a registrar alta na última hora.
Solana sente pressão de petróleo e juros
O principal gatilho para a queda não veio de dentro do mercado cripto. O movimento foi provocado principalmente pela reação dos mercados de petróleo e renda fixa aos ataques no Oriente Médio.
O petróleo Brent ultrapassou US$ 95 por barril diante da preocupação com possíveis impactos sobre o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz. Ao mesmo tempo, o rendimento do Treasury americano de 10 anos chegou a 4,81%, maior nível em cerca de três anos.
No Japão, o rendimento dos títulos de cinco anos atingiu uma máxima histórica, enquanto o título de 10 anos chegou a 3% pela primeira vez em três décadas. As bolsas também sentiram o impacto: as ações japonesas caíram mais de 2% e o índice Kospi, da Coreia do Sul, recuou mais de 3%.
Esse cenário aumenta a pressão sobre ativos considerados mais sensíveis às condições financeiras. Para as criptomoedas, o principal canal de transmissão passa pelas expectativas de juros nos Estados Unidos.
Segundo a ferramenta CME FedWatch, os operadores passaram a atribuir 66% de probabilidade a uma alta dos juros pelo Federal Reserve na reunião de setembro. Uma semana antes, essa chance estava em aproximadamente 40%.
A mudança ocorreu depois de o presidente do Fed, Kevin Warsh, argumentar durante o simpósio de Jackson Hole que a política monetária talvez ainda não esteja suficientemente restritiva para conter a inflação.
O movimento também não significou uma rotação automática para o ouro. O metal caiu para cerca de US$ 4.296 a onça, acumulando a segunda sessão consecutiva de perdas.
Analistas da Bitfinex já haviam indicado que o Bitcoin poderia seguir consolidando ou avançando enquanto não houvesse uma queda generalizada nos ativos de risco. Com o aumento da pressão sobre ações, petróleo e títulos, essa condição passou a ganhar relevância para o mercado cripto.
Para Joel Kruger, estrategista de mercado do LMAX Group, a principal região de resistência para uma recuperação do Bitcoin continua entre US$ 80.000 e a máxima de maio, próxima de US$ 82.820.
O próximo teste para o mercado deve vir dos dados de emprego dos Estados Unidos. O relatório de agosto, previsto para sexta-feira, é projetado pelos economistas para mostrar a criação de aproximadamente 55 mil vagas, depois da perda de 23 mil postos registrada em julho.
Uma leitura forte do mercado de trabalho poderia reforçar as expectativas de juros mais altos e manter pressão sobre ativos de maior volatilidade. Depois do relatório de emprego, o mercado também terá novos dados de inflação em 11 de setembro. Na sequência, a votação do Clarity Act está prevista para 15 de setembro, enquanto a decisão do Federal Reserve sobre os juros ocorre no dia seguinte.


