A Solana está prestes a reduzir para 200 milissegundos o intervalo-alvo entre a produção de blocos. A última etapa da atualização está prevista para esta sexta-feira e conclui uma sequência de mudanças iniciada em agosto, que reduziu pela metade o tempo-alvo original da rede.

A alteração deve entrar em vigor na época 1053, estimada para as 15h UTC, segundo a Anza, desenvolvedora do software Agave, amplamente utilizado pelos validadores da Solana.

Com o novo intervalo, a blockchain passará a ter como meta cinco oportunidades de produção de blocos por segundo, ante 2,5 na configuração original de 400 milissegundos.

Um slot é a janela de tempo em que um validador designado pode adicionar transações à blockchain. Com intervalos menores, carteiras, plataformas de negociação e exchanges podem receber atualizações com maior frequência, reduzindo o tempo que uma transação enviada pode passar aguardando processamento.

A redução começou em 21 de agosto, quando o intervalo-alvo caiu para 350 milissegundos. Em 28 de agosto, passou para 300 milissegundos e, em 18 de setembro, chegou a 250 milissegundos. A próxima etapa prevê o corte final para 200 milissegundos.

O que muda com os blocos da Solana em 200 milissegundos

A proposta técnica SIMD-0525 também limita a quantidade de trabalho computacional que cada bloco pode processar. Com a nova configuração, o limite cairá de 37,5 milhões para 30 milhões de unidades de computação por bloco.

Embora os blocos sejam produzidos com maior frequência, cada um poderá carregar proporcionalmente menos trabalho. Assim, a capacidade teórica total de processamento da rede deve permanecer aproximadamente inalterada.

A mudança também encurta o período contínuo em que um validador pode ordenar transações. Como a produção ocorre em grupos de quatro slots consecutivos, essa janela passará de 1,6 segundo na configuração original para 800 milissegundos.

Na prática, o intervalo menor pode reduzir as oportunidades de atrasar transações ou explorar diferenças de preço que surgem em outras exchanges antes de a Solana atualizar seu estado.

A atualização, porém, exige ajustes operacionais. Validadores que votam em todos os slots terão de enviar votos aproximadamente duas vezes mais vezes do que na configuração original, elevando os custos de votação e exigindo mais das conexões de rede.

Carteiras e outros aplicativos também terão menos tempo para utilizar um blockhash recente, uma referência incluída nas transações para impedir que sejam reproduzidas. A janela de validade mais curta pode dificultar operações que dependem de aprovação manual ou de assinaturas feitas offline.

O desempenho real ainda precisa ser testado. Dados da Solana Compass indicam que, nas épocas recentes, a configuração de 250 milissegundos apresentou tempos médios de slot entre aproximadamente 266 e 269 milissegundos, acima da meta estabelecida.

A versão final da mudança já foi implementada nas redes de teste testnet e devnet. A implantação na mainnet, usada para as operações reais da blockchain, depende das condições da rede, especialmente da frequência com que os validadores deixam de produzir os blocos nos slots que lhes foram atribuídos.

A transição está prevista para a virada da época 1053 nesta sexta-feira. O resultado mostrará se a Solana consegue atingir o novo ritmo de produção sem comprometer a execução das operações e as condições necessárias para manter a rede funcionando.

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Luíza Nunes
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