Investimento em infraestrutura de stablecoins pode atingir US$ 8 bilhões até 2027

Investimento em infraestrutura de stablecoins pode atingir US$ 8 bilhões até 2027

O capital institucional está mudando de foco no mercado cripto. Segundo um novo relatório do grupo financeiro francês NGPES, o investimento na infraestrutura de stablecoins deve atingir a marca de US$ 8 bilhões em 2027.

O montante reflete a forte busca por sistemas regulamentados de pagamento, custódia e conformidade. Para o ano de 2026, a previsão é que o aporte no setor feche entre US$ 4 bilhões e US$ 6 bilhões.

“A história do investimento em stablecoins mudou fundamentalmente”, afirmou o presidente da NGPES, Suren Hayriyan. “Hoje, os investidores perguntam cada vez mais qual infraestrutura regulamentada permitirá a adoção institucional.”

Grandes instituições já movimentam esse cenário. O Standard Chartered e o BNY liberaram serviços de custódia e emissão de USDC para clientes corporativos. A Circle também integrou sua rede de pagamentos com a Fireblocks para facilitar liquidações globais.

Os dados mostram que a emissão do ativo é apenas uma parte da cadeia de valor. A verdadeira corrida está na tecnologia de base, e a expectativa da NGPES é que o volume de transações cresça muito mais rápido do que a oferta circulante dessas moedas.

A expansão global da infraestrutura de stablecoins

A capitalização de mercado global desses ativos ultrapassou os US$ 300 bilhões em 2026. A NGPES projeta que o valor se aproxime de US$ 450 bilhões em 2027, podendo alcançar até US$ 3 trilhões até 2030, a depender da clareza regulatória.

Mercados emergentes como América Latina e África devem impulsionar boa parte do volume de pagamentos. Na América Latina, as transações comerciais com esses ativos podem saltar até 65% em 2026, guiadas pela forte demanda por remessas e comércio internacional.

A legislação também direciona o fluxo financeiro. Na Europa, a regulamentação MiCA atrai até US$ 350 milhões para a infraestrutura de stablecoins atreladas ao euro, mesmo com a circulação menor dessas moedas frente aos tokens baseados em dólar.

Modelos de emissão terceirizada, os chamados serviços white-label, ganham força rapidamente. Bancos e gestoras preferem usar uma infraestrutura de stablecoins já regulamentada em vez de criar sistemas complexos de conformidade e liquidação do zero.

Como concluiu Hayriyan, a próxima fase do setor não será definida apenas pela criação de tokens. O sucesso vai depender estritamente da qualidade da estrutura regulamentada que sustenta a integração aos sistemas bancários globais.