A corretora descentralizada Hyperliquid movimentou mais de US$ 30 milhões em Bitcoin (BTC) ligados ao grupo hacker norte-coreano Lazarus ao longo de três semanas. Esse fluxo financeiro levanta questões sobre possíveis sanções regulatórias no exato momento em que a plataforma busca operar oficialmente no mercado dos Estados Unidos.
O analista Emmett Gallic, da empresa de inteligência blockchain Arkham, rastreou as carteiras digitais envolvidas. Ele utilizou dados de uma investigação de 2024 do especialista ZachXBT para identificar a origem dos recursos. Após a passagem pela corretora, os fundos foram convertidos em Ether (ETH) e Solana (SOL) antes de seguirem para plataformas centralizadas como Kraken, LBank e KuCoin.
A situação ocorre em um momento decisivo para a expansão da empresa. Durante um evento na Casa Branca em agosto, o presidente Donald Trump mencionou diretamente o projeto. Trump creditou a Michael Selig, presidente da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC), os esforços de regulamentação.
“Entendo que Mike também está trabalhando para trazer a Hyperliquid para os Estados Unidos de maneira totalmente compatível e legal, trabalhando muito duro nisso”, afirmou Trump na ocasião.
O peso das sanções e a expansão da Hyperliquid
O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) dos EUA mantém o Lazarus Group sob sanções diretas desde 2019. O grupo criminoso está associado a bilhões de dólares roubados em criptomoedas, incluindo a invasão da Ronin Network em 2022 e o roubo recorde de US$ 1,5 bilhão da corretora Bybit em 2025.
Apenas no primeiro semestre de 2025, hackers norte-coreanos levaram cerca de US$ 1,6 bilhão, o equivalente a 70% das perdas globais do setor no período.
A Payward, empresa controladora da Kraken, atua neste cenário negociando um caminho regulamentado para a exchange nos EUA por meio da sua subsidiária Bitnomial. A Payward concluiu a aquisição da Bitnomial em maio por US$ 550 milhões, assumindo três licenças registradas na CFTC.
A comissão já havia aprovado um produto perpétuo de Bitcoin neste ano, o que estabelece um precedente favorável para novos pedidos.
No mercado, o token nativo da plataforma, HYPE, registrou alta de 5% em 24 horas, negociado a US$ 84. O ativo atingiu sua máxima histórica de US$ 86,71 no dia 27 de agosto, pouco antes da divulgação sobre a movimentação dos hackers.
Até o momento, a estabilidade do preço indica que os investidores ainda não absorveram o risco regulatório em torno das operações.


