A rota que transforma a compra de stablecoins em pressão no câmbio

A rota que transforma a compra de stablecoins em pressão no câmbio

A demanda crescente por ativos digitais está impactando diretamente a economia tradicional. Um novo estudo do Banco Central da Coreia do Sul revelou que a compra de stablecoins pareadas ao dólar pode desvalorizar moedas nacionais frente à moeda americana.

A pesquisa, conduzida pelos pesquisadores Jihyun Kim e Sangheum Cho, analisou o cenário de exchanges globais, com destaque para a Binance. O foco foi entender o que acontece quando essas plataformas liberam negociações diretas entre moedas fiduciárias, como o real brasileiro, e tokens como USDT e USDC.

A dinâmica identificada é direta. Quando investidores usam dinheiro local para a compra de stablecoins, os formadores de mercado profissionais entregam os tokens e recebem a moeda fiduciária. Para equilibrar seus próprios caixas, esses grandes operadores vendem a moeda local e compram dólares no mercado de câmbio tradicional (FX).

Esse movimento cria uma rota onde a demanda digital afeta a taxa de câmbio. Segundo um dos testes da pesquisa, um aumento nas buscas no Google por Bitcoin — usado como medidor do interesse em criptomoedas, foi associado a uma desvalorização de 0,118% do real. O mesmo evento elevou o prêmio pago pelas moedas digitais no Brasil em 0,109 ponto percentual.

O impacto da compra de stablecoins no mercado internacional

Os pesquisadores também notaram mudanças estruturais nos preços. Após a Binance introduzir pares diretos de negociação com dinheiro fiduciário, os prêmios locais das stablecoins caíram entre 0,33 e 0,38 ponto percentual. Além disso, sempre que os preços nas corretoras regionais superavam os da Binance, o fluxo de tokens migrava rapidamente para o mercado local.

O cenário sul-coreano serviu de contraponto essencial para a tese. O país movimentou US$ 64 bilhões em aquisições de tokens com a moeda local nos 12 meses até junho de 2025. Isso consolidou a Coreia do Sul como o maior mercado de stablecoins da Ásia-Pacífico, de acordo com dados da Chainalysis.

Apesar do volume massivo, a Coreia do Sul não possui um par direto de negociação entre o won e ativos pareados ao dólar na Binance. Como resultado, a compra de stablecoins na região elevou a pressão sobre o prêmio local, mas não causou resposta significativa ou depreciação direta na taxa de câmbio do país.

A análise completa abrangeu 12 moedas diferentes com dados cruzados de corretoras coletados entre 2019 e 2025. As conclusões dos autores indicam que uma maior liquidez cambial será necessária para que os mercados absorvam novos choques, à medida que os laços entre os ativos digitais e as finanças tradicionais se fortalecem.