Avanço dos pagamentos com stablecoins exige evolução na infraestrutura de câmbio

Avanço dos pagamentos com stablecoins exige evolução na infraestrutura de câmbio

A plataforma lançada pela Visa recentemente comprova que os ativos digitais estão se integrando à infraestrutura financeira tradicional. Bancos e provedores de pagamento agora possuem um ambiente gerenciado para movimentar esses ativos. Contudo, essa adoção traz um novo foco para o setor: a conversão cambial.

Embora os pagamentos com stablecoins simplifiquem as transferências internacionais, o valor ainda precisa ser convertido para a moeda local do destino. Uma empresa de tecnologia que atende o Brasil e o México, por exemplo, pode usar dólares digitais, mas seus clientes continuam operando em reais ou pesos.

As empresas e os comerciantes locais ainda precisam pagar funcionários, impostos e fornecedores em suas moedas nacionais. Isso significa que, mesmo utilizando opções de liquidez global como USDC ou USDT, a conversão é uma etapa obrigatória antes que os fundos entrem na economia real.

O desafio da conversão 24 horas nos pagamentos com stablecoins

Essa dinâmica já reflete diretamente nas normas vigentes. O Banco Central do Brasil, por exemplo, passou a tratar as atividades de pagamentos internacionais com ativos virtuais e a troca de criptomoedas atreladas a moedas fiduciárias como operações de câmbio tradicionais.

A integração de moedas locais aos sistemas de pagamento em blockchain exige um mercado eficiente entre esses ativos e o dólar digital. No entanto, o mercado tradicional de câmbio ainda depende dos horários bancários e de múltiplos intermediários para funcionar.

Isso gera um descompasso técnico evidente, já que as criptomoedas são movimentadas a qualquer momento do dia ou da noite. As operações de câmbio on-chain oferecem um modelo diferente, permitindo que a precificação e a liquidação ocorram de forma contínua, mesmo fora do horário comercial.

De acordo com Danyel Arenas, cofundador e CEO da KiiChain, as melhores soluções financeiras transfronteiriços vão ocultar essa complexidade técnica. O objetivo é que o usuário realize pagamentos com stablecoins de forma direta, focando apenas na moeda de envio e na de destino, sem se preocupar com a infraestrutura que opera nos bastidores.