
A dificuldade de mineração do Bitcoin está há 374 dias sem alcançar uma nova máxima histórica, superando até o intervalo registrado após o crash de 2011. Apesar da recuperação nos últimos ajustes, a métrica continua abaixo do recorde de 155,97 trilhões, em um cenário de margens menores, custos operacionais elevados e mudanças estratégicas entre mineradoras.
A marca foi estabelecida em 29 de outubro de 2025, no bloco 921.312. Desde então, nenhum ajuste conseguiu superar o nível registrado naquela data, segundo dados do Mempool.space. O período já ultrapassa os 364 dias que a rede levou para estabelecer uma nova máxima após o pico de 1º de agosto de 2011, durante um ciclo em que o preço do Bitcoin chegou a cair 95%.
A distância também supera o intervalo observado após a proibição da mineração do Bitcoin na China, em 2021. Na ocasião, a dificuldade atingiu um recorde em 13 de maio, mas só estabeleceu uma nova máxima em 21 de janeiro de 2022, cerca de 253 dias depois.
Dificuldade de mineração do Bitcoin ensaia recuperação, mas segue abaixo do recorde
O indicador chegou a 124,93 trilhões em junho de 2026, após uma queda de 10,09% em um dos ajustes. O nível representou uma retração de aproximadamente 20% em relação à máxima histórica e foi o menor desde julho de 2025.
Desde então, a recuperação reduziu parte dessa diferença. Em 16 de outubro, a dificuldade subiu 5,92%. No ajuste seguinte, em 29 de outubro, avançou outros 5,54%, chegando a 148,36 trilhões. Ainda assim, o resultado permanece 4,9% abaixo do recorde.
O hashrate semanal, que mede o poder computacional dedicado à mineração do Bitcoin, também voltou a 1 ZH/s após oito meses abaixo desse patamar. A recuperação mostra que mais capacidade de processamento voltou à rede, mas não significa que o setor tenha retomado o ritmo de expansão anterior.
A próxima atualização pode trazer uma nova correção. O Mempool.space projetava uma queda de aproximadamente 3,7% em cerca de seis dias, o que adiaria ainda mais a possibilidade de estabelecer uma nova máxima.
A pressão sobre as mineradoras ajuda a explicar o movimento. Com o Bitcoin abaixo de US$ 75.778 no momento da publicação de referência, as empresas enfrentam receitas menores em relação aos níveis que sustentaram investimentos anteriores, enquanto despesas operacionais continuam pesando sobre as margens.
Parte das companhias também está redirecionando recursos para infraestrutura de inteligência artificial (IA). A Riot Platforms vendeu US$ 750 milhões em Bitcoin, enquanto a Hut 8 vendeu US$ 250 milhões. Já a Keel Infrastructure liquidou uma carteira avaliada em US$ 192 milhões.
Terawulf e IREN, por sua vez, ampliaram suas atividades relacionadas à IA em meio à queda das receitas com mineração do Bitcoin. A concorrência por energia também representa um desafio, já que centros de dados voltados à inteligência artificial e instalações de mineração dependem de recursos semelhantes.
Apesar da dificuldade ainda estar abaixo do recorde, isso não significa que a rede Bitcoin esteja operando pior.
O hashrate semanal voltou a 1 ZH/s, os blocos continuam sendo produzidos dentro do ritmo esperado e o protocolo segue ajustando automaticamente a dificuldade a cada 2.016 blocos, aproximadamente duas semanas, para manter o intervalo médio de dez minutos entre blocos.
A atualização esperada por volta de 13 de novembro será um novo indicador da recuperação do setor. Uma redução na dificuldade reforçaria o cenário de pressão sobre os mineradores.
Já uma valorização sustentada do Bitcoin poderia melhorar a rentabilidade das operações e atrair mais poder computacional para a rede, aproximando a dificuldade de sua máxima histórica, embora sem garantir um novo recorde.









