
O Bitcoin voltou a ser negociado acima de US$ 83 mil nesta terça-feira (13), recuperando parte das perdas registradas durante a madrugada, quando chegou a cair abaixo de US$ 81 mil. O movimento ocorre enquanto as bolsas asiáticas recuam e os contratos futuros de ações de tecnologia dos Estados Unidos permanecem sob pressão.
Pela manhã, a criptomoeda avançava 0,1%, para US$ 83.427, nas últimas 24 horas.
Entre as principais criptomoedas, o desempenho era desigual. O Ethereum caía 1,5%, para US$ 2.505, enquanto o XRP recuava 3,2%, a Solana perdia 4,3% e a BNB registrava baixa de 1,3%.
A recuperação do Bitcoin chama a atenção porque acontece em meio à pressão sobre ativos de risco. Embora a criptomoeda frequentemente acompanhe os movimentos das ações de tecnologia, nesta sessão conseguiu avançar enquanto mercados asiáticos e futuros do Nasdaq registravam perdas.
Bitcoin resiste à queda das bolsas asiáticas
Na Coreia do Sul, o índice Kospi chegou a cair mais de 6% durante o pregão, atingindo seu menor nível desde o fim de julho. Samsung Electronics e SK Hynix, duas das maiores fabricantes de semicondutores do mundo, estiveram entre os destaques negativos, com perdas próximas de 8% no início das negociações.
O movimento reflete preocupações com as avaliações das empresas ligadas à inteligência artificial e com a concorrência crescente de fabricantes chineses de chips de memória.
Nos Estados Unidos, os contratos futuros do Nasdaq recuavam cerca de 0,6%, depois de o índice ter fechado a segunda-feira com queda de 0,78%.
O mercado também acompanha a alta do petróleo. O barril do WTI era negociado próximo de US$ 92,67, enquanto o Brent permanecia na faixa dos US$ 106, após três sessões consecutivas de valorização.
Ataques na Arábia Saudita e ameaças à navegação pelo Estreito de Ormuz, uma rota estratégica para o transporte mundial de petróleo, mantêm as preocupações com possíveis interrupções na oferta de energia.
O encarecimento do petróleo pode pressionar a inflação e dificultar cortes de juros pelo Federal Reserve, o banco central americano. Juros elevados tendem a reduzir a atratividade de ativos de risco, como ações de tecnologia e criptomoedas, em comparação com investimentos de renda fixa.
Inflação dos EUA entra no radar do Bitcoin
A próxima referência importante para os investidores será a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês), prevista para quarta-feira (14). O indicador poderá ajudar a esclarecer como a inflação americana está evoluindo e quais decisões de política monetária o Federal Reserve poderá tomar.
Uma leitura acima das expectativas pode fortalecer as apostas em juros elevados por mais tempo, pressionando o Bitcoin e outros ativos de risco. Já números mais moderados podem aliviar parte das preocupações com a política monetária.
Para Paul Howard, diretor sênior da empresa de negociação de criptoativos Wincent, a proximidade da divulgação pode levar investidores institucionais a reforçar estratégias de proteção contra oscilações.
“Com a aproximação dos dados de inflação dos Estados Unidos, espero que os investidores institucionais se concentrem em adicionar proteção por meio de derivativos e estratégias de hedge, em vez de reduzir significativamente sua exposição”, afirmou.
Segundo Howard, investidores institucionais com posições de longo prazo podem manter suas exposições principais e recorrer a instrumentos financeiros para limitar possíveis perdas.
Assim, embora o Bitcoin tenha recuperado o patamar de US$ 83 mil, o avanço ainda não confirma uma mudança duradoura em sua relação com os mercados tradicionais. A reação aos próximos dados de inflação poderá indicar se a criptomoeda consegue sustentar a recuperação ou volta a acompanhar a pressão sobre os ativos de risco.








