
Matt Hougan, diretor de investimentos da Bitwise, projetou que o Bitcoin pode atingir US$ 1,5 milhão por unidade caso alcance o valor total de mercado do ouro. A estimativa baseia-se na evolução histórica do metal precioso após a chegada dos seus primeiros fundos de índice (ETFs) nos Estados Unidos.
Na época do lançamento do SPDR Gold Shares em 2004, o ouro registrava uma capitalização próxima de US$ 2,5 trilhões. Atualmente, esse montante atinge cerca de US$ 30 trilhões, impulsionado pela facilidade de acesso que os ETFs trouxeram para investidores tradicionais.
O executivo enxerga um movimento semelhante para a principal criptomoeda do mercado. Quando os ETFs de Bitcoin à vista receberam aprovação nos Estados Unidos em janeiro de 2024, o ativo valia cerca de US$ 1 trilhão, chegando a ultrapassar temporariamente a marca de US$ 2 trilhões.
Em declaração divulgada em 9 de outubro, Hougan destacou que a criptomoeda pode replicar o desempenho do ouro ao longo do tempo. Na data da afirmação, o ativo negociava próximo de US$ 83 mil, com valor de mercado em US$ 1,65 trilhão, exigindo um crescimento de 18 vezes para bater US$ 30 trilhões.
Com aproximadamente 20 milhões de moedas em circulação, esse patamar resultaria no valor unitário de US$ 1,5 milhão. O cálculo seria ligeiramente menor considerando o limite máximo de 21 milhões de unidades, previsto para ser alcançado por volta do ano 2140.
Fatores que sustentam a tese
A tese não representa meta oficial de fundo da Bitwise nem possui data limite fixa, embora o executivo recomende uma avaliação de longo prazo em até dez anos. Em março de 2026, Hougan sugeriu outro cenário onde o mercado somado de ouro e Bitcoin alcançaria US$ 121 trilhões, exigindo que a criptomoeda capture 17% desse total para superart US$ 1 milhão.
Os fundos de índice simplificam a entrada de investidores institucionais e assessores financeiros por dispensarem a gestão direta de carteiras digitais. Com emissão limitada e reduções periódicas na criação de moedas (halving), compras constantes via ETFs podem intensificar a escassez da oferta no mercado.
Contudo, a Bitwise pondera que o movimento não ocorre de forma linear. Altas expressivas podem induzir vendas de realização por antigos detentores, enquanto saídas de capital nos ETFs têm potencial para aprofundar correções de preço.
O principal risco identificado para essa projeção não envolve falhas técnicas, mas o comportamento emocional dos investidores em momentos de queda acentuada. O histórico do ativo acumula desvalorizações superiores a 70%, por vezes amplificadas pelo uso de alavancagem.
Além disso, regras regulatórias mais rígidas ou eventual perda de espaço para o ouro podem inviabilizar o cenário projetado.









