O Bitcoin continua perdendo espaço nas corretoras. Na segunda-feira, 5 de outubro, as plataformas registraram saídas líquidas de 24.073 BTC em um único dia, o maior volume diário desde 1º de março.

Com o movimento, a parcela da oferta de Bitcoin mantida nas exchanges caiu para cerca de 6,5%. Um ano atrás, essa fatia estava em 7,1%.

As reservas já vinham recuando. Em 3 de outubro, elas haviam chegado a aproximadamente 2,68 milhões de BTC, o menor nível desde 2023. Agora, o destaque está na velocidade das retiradas.

Em apenas um dia, os 24.073 BTC retirados equivalem a quase 0,12% dos bitcoins em circulação, considerando uma oferta próxima de 20 milhões de unidades.

Quando os investidores retiram seus bitcoins das plataformas, a quantidade disponível para venda imediata diminui. Isso pode reduzir a oferta negociável caso a demanda permaneça forte.

Bitcoin nas corretoras cai, mas o preço não acompanha

Apesar da redução das reservas, o preço do Bitcoin seguiu em outra direção. Em 7 de outubro, a criptomoeda devolveu os ganhos acumulados no início do mês e voltou para perto de US$ 83 mil, depois de superar US$ 86 mil no dia anterior.

A queda eliminou mais de US$ 70 bilhões em valor de mercado em 24 horas, em meio a um período de liquidações elevadas.

Entre os níveis técnicos observados pelo mercado, a região entre US$ 83.300 e US$ 84.600 ganhou atenção. Segundo Ali Martinez, cerca de 1,59 milhão de BTC foram negociados nessa faixa.

A leitura apontava que uma recuperação acima de US$ 86.700 poderia abrir espaço para um movimento em direção a US$ 100 mil ou até US$ 105 mil. Como o preço recuou novamente para baixo dessa região, esse cenário ficou menos consistente.

O comportamento dos grandes investidores também mudou. Carteiras com entre 10 e 10 mil BTC acumularam 86.702 bitcoins em três semanas, segundo dados da Santiment, no maior avanço desse grupo desde o fim de abril.

Ao mesmo tempo, carteiras com menos de 0,01 BTC estavam vendendo. O contraste mostra que a redução das reservas de Bitcoin nas corretoras ocorre junto a uma mudança na distribuição das moedas entre diferentes perfis de investidores.

Ainda assim, a queda das reservas por si só não significa que uma nova alta esteja confirmada. Menos Bitcoin nas corretoras reduz a oferta disponível, mas não cria demanda automaticamente.

O mercado já mostrou o movimento contrário em agosto, quando cerca de 28 mil BTC retornaram às plataformas em menos de três semanas.

Por isso, os próximos fluxos serão importantes para entender se o recuo do Bitcoin nas corretoras representa uma mudança mais duradoura. Além dos movimentos de moedas, os ETFs de Bitcoin e o cenário macroeconômico podem influenciar a próxima direção do mercado.

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Luíza Nunes
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