
A Bitget está ampliando sua estrutura voltada ao mercado institucional de criptomoedas, com diferentes modelos de custódia e liquidação para atender gestoras, fundos, formadores de mercado e outras empresas profissionais.
A mudança acompanha uma demanda crescente por infraestrutura. Segundo uma pesquisa da Coinbase com a EY-Parthenon, realizada com 351 empresas, quase metade das instituições que pretendem aumentar sua exposição a cripto em 2026 aponta melhorias na infraestrutura como um dos motivos.
Custódia, liquidação e controles de risco estão entre os principais pontos considerados por esses investidores.
Para o mercado institucional, a discussão também mudou. Em vez de olhar apenas quais ativos uma exchange oferece, as empresas passaram a avaliar como o capital entra, sai e permanece sob custódia.
Bitget amplia opções de custódia para instituições
Uma das principais alternativas é a liquidação fora da corretora, conhecida como off-exchange settlement. Nesse modelo, os ativos permanecem com um custodiante terceirizado, enquanto a plataforma recebe informações sobre o saldo que pode ser usado como crédito para negociação.
Efetivamente, o fundo mantém seus ativos com empresas como Copper ou Fireblocks, bloqueia uma parcela elegível e utiliza esse saldo para operar na corretora sem transferir diretamente os ativos para a plataforma.
Ganhos e perdas são posteriormente compensados entre a corretora e o custodiante em ciclos definidos. No ClearLoop, da Copper, por exemplo, a liquidação ocorre em intervalos determinados, em vez de acontecer de forma instantânea.
O modelo busca aumentar a eficiência de capital e diminuir a exposição direta dos ativos do cliente ao risco de contraparte da corretora.
Também pode facilitar a vida de instituições que negociam em várias plataformas, já que reduz a necessidade de transferir garantias constantemente entre diferentes corretoras.
Isso não elimina outros riscos. Uma posição que gerar perdas continua sujeita à liquidação, independentemente de onde o ativo usado como garantia esteja guardado. Além disso, o custodiante passa a representar uma contraparte adicional.
Entre os ciclos de liquidação, valores que uma corretora deve ao cliente também representam uma obrigação a receber, e não ativos sob custódia direta.
A demanda por esse tipo de estrutura ganhou relevância com a expansão da presença institucional em cripto. Dados citados no artigo mostram que 55% dos hedge funds tradicionais mantinham ativos digitais em 2025, contra 47% um ano antes. Entre eles, 71% planejavam aumentar essa exposição.
Ainda assim, a maior parte mantinha uma alocação inferior a 2% dos ativos.
Bitget aposta em múltiplos custodiantes
A estratégia da Bitget também considera que instituições não querem necessariamente abandonar seus atuais provedores de custódia.
Na pesquisa da Coinbase e da EY-Parthenon, 61% das empresas já investidas em cripto utilizavam mais de um custodiante, principalmente como forma de reduzir riscos.
Para gestores regulados, ter um custodiante independente e com estrutura adequada pode ser uma exigência ligada a deveres fiduciários e regras de segregação de ativos.
A Bitget trabalha com provedores regulados, incluindo uma relação ativa com a Sygnum. A empresa também mantém conversas com nomes como a Komainu, custodiante regulada criada por Nomura, CoinShares e Ledger.
Para formadores de mercado e empresas quantitativas, a prioridade pode ser diferente. Esses participantes operam em diversas plataformas e precisam movimentar garantias com rapidez.
Nesse segmento, a integração da Bitget com a Copper ClearLoop permite que clientes elegíveis negociem na corretora enquanto os ativos permanecem dentro da infraestrutura da Copper.
A empresa também cita relações de custódia e liquidação com Cactus Custody Oasis, Fireblocks Off Exchange, OSL MirrorEX e Bitfire PrimeMirror.
A proposta é permitir que diferentes perfis de capital institucional acessem os mesmos mercados sem precisar adotar exatamente o mesmo modelo de custódia.
Essa flexibilidade também pode reduzir transferências de ativos e etapas operacionais para clientes que já trabalham com determinados provedores.
Ao ampliar a infraestrutura institucional, a Bitget coloca custódia, liquidação, negociação, liquidez e, posteriormente, serviços de gestão de capital dentro de uma mesma estratégia chamada Universal Exchange.
O modelo também contempla a combinação entre criptomoedas e ativos tradicionais tokenizados.
Com os ativos mantidos fora da corretora, a competição deixa de depender apenas da custódia e passa a envolver acesso ao mercado, liquidez e execução das ordens.
Ao mesmo tempo, surge um novo ponto de atenção. A diversificação entre diferentes provedores pode reduzir a dependência de uma única empresa, mas também concentra uma parte maior da infraestrutura em algumas redes de custódia e liquidação.
Uma falha em um desses provedores poderia afetar várias corretoras e instituições ao mesmo tempo.
O próximo teste para esse modelo será seu funcionamento em períodos de estresse no mercado, quando liquidez, garantias e liquidações precisam continuar operando mesmo sob forte pressão.






