Michael Saylor, presidente executivo da Strategy, acredita que empresas que mantêm Bitcoin em tesouraria podem disputar uma pequena parcela dos mercados globais de ações e títulos, avaliados em US$ 318,5 trilhões.
A estimativa, porém, não representa uma previsão de valor para essas companhias nem uma projeção de receita. O número indica apenas o tamanho do mercado financeiro tradicional que novos produtos ligados ao Bitcoin poderiam tentar alcançar.
Bitcoin mira uma fração de US$ 318,5 trilhões
A conta apresentada por Saylor parte de dados da SIFMA. Ao final de 2025, a capitalização global das ações somava US$ 157,8 trilhões, enquanto o estoque de títulos chegava a US$ 160,7 trilhões.
Os dois mercados, juntos, alcançavam US$ 318,5 trilhões. Segundo o cálculo de Saylor, uma participação de 0,1% em cada categoria representaria cerca de US$ 160 bilhões.
Já uma fatia de 0,1% do mercado combinado corresponderia a US$ 318,5 bilhões. A SIFMA informou ainda que o valor das ações globais cresceu 18,9% em 2025, enquanto o estoque de títulos avançou 10,6%.
Saylor também afirmou que outras empresas de tesouraria de Bitcoin não precisam ser vistas apenas como concorrentes. Em uma publicação de 30 de setembro, ele escreveu: “I want Strive to succeed. I want every well-managed issuer of Bitcoin-backed digital credit to succeed”.
Como Saylor divide o mercado de Bitcoin
Na visão do executivo, esse novo mercado pode ser dividido em três tipos de produtos. O Bitcoin seria o “capital digital”, voltado a investidores que buscam exposição direta ao ativo.
As ações comuns de empresas como Strategy e Strive seriam as chamadas “ações digitais”, associadas a uma tese de crescimento. Entre essas duas categorias estariam os instrumentos de “crédito digital”.
Nesse grupo entram títulos preferenciais como STRC, emitido pela Strategy, e SATA, da Strive. Esses ativos buscam pagar dividendos enquanto ajudam a financiar novas compras de Bitcoin.
A Strategy segue como a maior empresa desse segmento. Depois de adquirir 1.665 BTC por US$ 142,7 milhões, a companhia encerrou setembro com 847.666 bitcoins, a um preço médio de aproximadamente US$ 75.437 por unidade.
A Strive, por sua vez, tinha 27.462 BTC após comprar mais 1.107 bitcoins. Segundo a fonte, 85% do capital levantado para essa aquisição veio de emissões de SATA.
O modelo também cria relações entre empresas do mesmo setor. Em março, a Strive investiu US$ 50 milhões em 500 mil ações STRC da Strategy. Os papéis passaram a fazer parte da reserva usada para financiar os dividendos de SATA.
Para Saylor, a expansão desse mercado pode gerar benefícios para diferentes companhias expostas ao Bitcoin. Mais emissores também poderiam atrair analistas, formadores de mercado e investidores institucionais, aumentando a liquidez do setor.
A tese, no entanto, continua sendo principalmente teórica. Empresas de tesouraria de Bitcoin não competem diretamente por todo o mercado global de ações e títulos, mas tentam capturar uma parcela do capital que hoje está alocado nesses ativos.
Além disso, ações preferenciais como STRC e SATA representam direitos contra as próprias companhias, e não propriedade direta dos bitcoins mantidos em caixa. Seu desempenho depende de fatores como pagamento de dividendos, condições de financiamento e força do balanço de cada emissor.
Uma queda prolongada do Bitcoin também reduziria o valor das reservas e poderia dificultar novas captações. Emissões recorrentes de ações comuns, por outro lado, podem diluir a participação dos acionistas existentes.
A proposta de Saylor, portanto, não é que empresas de Bitcoin conquistem US$ 318,5 trilhões. O argumento é que uma alocação muito pequena dos grandes mercados tradicionais já poderia criar um segmento de crédito baseado em Bitcoin avaliado em centenas de bilhões de dólares.








