
O Bitcoin fechou setembro com alta de 6,33%, contrariando o histórico de perdas do mês. A valorização, porém, perdeu força nos últimos dias, enquanto os fluxos para ETFs e a demanda à vista começaram a diminuir.
Desde 2013, setembro registra uma perda média de 2,41% para o Bitcoin, segundo dados da CoinGlass. A alta de 2026 também marca o quarto setembro consecutivo de ganhos, depois dos resultados positivos registrados entre 2023 e 2025.
O desempenho veio ainda enquanto o ouro recuou mais de 6% no mês e o S&P 500 teve uma queda moderada, segundo a Santiment.
A CryptoQuant interpretou o movimento como o início de um novo ciclo de alta. Na semana passada, a empresa apontou que o fechamento acima da média móvel de 365 dias confirmou essa mudança, enquanto seu Bull Score Index chegou a 90 de 100.
Outubro também traz um histórico positivo para o Bitcoin. A criptomoeda terminou 10 dos últimos 13 meses de outubro em alta, com ganho mediano de 12,73%. O ponto agora é saber se haverá compradores suficientes para sustentar esse padrão.
Bitcoin entra em outubro com ETFs perdendo força
Os ETFs spot de Bitcoin nos Estados Unidos registraram US$ 998,95 milhões em entradas em 21 de setembro, no maior fluxo diário positivo em quase um ano, segundo a SoSoValue.
Nos pregões seguintes, porém, os aportes diminuíram. Em 28 de setembro, as entradas ficaram em US$ 31,07 milhões. Já em 30 de setembro, os ETFs tiveram saída líquida de US$ 148,69 milhões, sem nenhum dos 12 fundos registrar entrada.
A desaceleração ocorreu poucos dias depois de os produtos de investimento em criptomoedas apresentarem sua maior entrada semanal de 2026.
Os dados de demanda à vista seguiram a mesma direção. A CryptoQuant estima que a demanda aparente tenha recuado em 170 mil BTC nos 30 dias anteriores. No mercado futuro, o crescimento caiu de 164 mil BTC em 14 de setembro para apenas 16 mil BTC.
O volume negociado também continua baixo. A Glassnode estima que o volume combinado de spot e ETFs esteja próximo de US$ 6,4 bilhões por dia, entre os menores níveis desde o lançamento dos fundos.
Enquanto a demanda diminuiu, investidores que já estavam posicionados começaram a realizar lucros. Em 22 de setembro, foram realizados 25.700 BTC em lucro, o maior volume diário de 2026, segundo a CryptoQuant.
Os detentores de longo prazo, que mantêm os ativos por mais de 155 dias, tiveram participação crescente nesse movimento. A Glassnode calculou que a parcela dos lucros realizados por esse grupo passou de 34% para 55% na semana encerrada em 29 de setembro.
A CryptoQuant também apontou que a margem de lucro não realizado dos traders chegou a 33%, maior nível desde dezembro de 2024. Segundo a empresa, margens historicamente elevadas foram seguidas por vendas e pressão negativa sobre os preços.
Ainda assim, a Glassnode observa que a realização de lucros continua bem abaixo dos níveis registrados nos topos de 2024 e 2025.
No mercado, o primeiro teste do mês aparece logo acima da cotação atual. O Bitcoin era negociado a US$ 84.198, com alta de 0,9% em 24 horas, enquanto a Glassnode identificou uma concentração de ordens de venda entre US$ 85 mil e US$ 85,5 mil na Binance.
Essa barreira surgiu em 24 de setembro e triplicou de tamanho desde então.
Do outro lado, a CryptoQuant aponta a média móvel de 365 dias, próxima de US$ 80 mil, como primeiro suporte. Abaixo dela, a Glassnode identifica a True Market Mean, estimativa do preço médio pago por investidores ativos, em torno de US$ 77,2 mil.
Para a Glassnode, uma confirmação de rompimento dependeria da retomada das entradas nos ETFs e de um aumento no volume negociado enquanto o Bitcoin supera a faixa de US$ 85 mil.








