
O Bitcoin deixou de ser um assunto paralelo para ocupar o palco de debates globais. Durante o Dia da Cooperação Digital da ONU de 2026, a tecnologia blockchain foi apresentada como uma infraestrutura robusta para nações em desenvolvimento.
Longe da visão de que criptoativos são apenas ferramentas para especulação, um painel exclusivo discutiu como a tokenização pode transformar o Sul Global. O argumento central dos especialistas é utilizar essa tecnologia para construir sistemas econômicos autossustentáveis.
Jeremy Almond, CEO da Paystand, defendeu durante a Assembleia que a criptomoeda funciona como um catalisador para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Segundo ele, o modelo ideal promove a autonomia econômica dos países, substituindo a dependência tradicional da filantropia.
Bilal Bin Saqib, presidente da Autoridade Reguladora de Ativos Virtuais do Paquistão, reforçou a necessidade prática da tecnologia. Em um país com mais de 230 milhões de habitantes e acesso bancário limitado em regiões rurais, a infraestrutura financeira baseada em blockchain resolve problemas reais de inclusão.
O futuro da adoção do Bitcoin na ONU e os próximos passos
A relação da instituição com a tecnologia vem crescendo ao longo do ano. Em fevereiro de 2026, o Bitcoin Policy Institute participou de comissões focadas em adaptar as leis de comércio internacional aos instrumentos tokenizados, buscando segurança jurídica para o setor.
Em paralelo, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) já conduz testes e pesquisas sobre o uso de registros distribuídos. As aplicações práticas envolvem desde sistemas de registros de terras até a verificação de identidade em regiões com infraestrutura burocrática frágil.
Apesar do avanço, a organização mantém uma postura institucional cautelosa. O espaço dado ao Bitcoin foca em casos de uso e tecnologia de base, e não representa uma recomendação para que os estados membros comprem o ativo digital como reserva de valor.







