Vitalik Buterin, cofundador do Ethereum, rejeita a ideia de que o avanço tecnológico represente o fim da proteção digital. Para ele, a IA nas criptomoedas será uma ferramenta fundamental para tornar os sistemas de software ainda mais difíceis de serem invadidos.

Em uma publicação na rede social X, Buterin destacou que modelos avançados não darão aos hackers uma vantagem insuperável. Ele ressaltou que os investidores confiam na evolução das defesas, mencionando que cerca de 90% do seu próprio patrimônio está alocado no setor.

“É uma visão cada vez mais comum de que o hackeamento por IA significa que a segurança cibernética está condenada. Eu discordo. Acho que a segurança cibernética favorece naturalmente a defesa assim que as pessoas se organizam”, escreveu o desenvolvedor.

A principal aposta de Buterin é o uso da tecnologia para a verificação formal. O processo consiste em aplicar provas matemáticas rigorosas para estabelecer que um software é imune a ataques, transformando uma ferramenta de invasão em um mecanismo de defesa prático.

“Se a IA pode provar as equações de Navier-Stokes e o Último Teorema de Fermat, então a IA pode provar a afirmação ‘este programa é seguro’ como um teorema matemático”, explicou. “Mesmo se o programa for muito complicado.”

Como a IA já atua contra vulnerabilidades nas criptomoedas

O mercado já observa uma disputa técnica acelerada entre invasores e desenvolvedores. Em maio, pesquisadores usaram o modelo Claude Opus 4.8 para encontrar uma falha de quatro anos na rede Zcash, que foi rapidamente corrigida antes de qualquer exploração externa.

Em julho, pesquisadores da Fundação Ethereum também utilizaram agentes automatizados para identificar falhas na infraestrutura da rede. No mesmo período, invasores roubaram cerca de US$ 130 milhões em Bitcoin explorando um erro antigo no firmware das carteiras Coldcard, ataque que provavelmente teve auxílio da nova tecnologia.

A ameaça se expandiu pelo ecossistema do Bitcoin em agosto. O serviço Boltz pausou operações ao notar que invasores encontravam falhas mais rápido do que a equipe conseguia corrigir. Em resposta, o grupo voluntário Bitcoin Red Team usou auditorias assistidas por IA para sinalizar 4.962 potenciais vulnerabilidades em 390 projetos.

O Ethereum planeja usar sistemas inteligentes para verificar programas inteiros ao longo dos próximos anos. Segundo Buterin, não existe futuro para redes blockchain com escalabilidade e privacidade sem a adoção dessa prática, afirmando que “precisamos tornar o software realmente seguro, e já fizemos muito progresso”.

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Luíza Nunes
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